Mesmo assim, não desisti. Apesar de tudo, das confissões e de toda melancolia, retomei forças dentro de mim, respirei fundo e voltei à batalha. Não queria que me amasse forçadamente. Apenas queria que me amasse pelo o que eu sou. Queria conquistá-la.
Um convite, que veio da parte de uma amiga em comum, me animou. Ela nos chamou para ir a um parque de diversões para "brincar". Fomos convocados para criar uma sensação de grupo e esconder dos pais da nossa amiga o que realmente ela pretendia fazer. Afinal, como dizer aos pais, em especial ao pai, que ela iria sair, sozinha, solitariamente, com um menino?
A negativa seria óbvia. Por isso, ela nos convidou. Estava claro que essa seria a chance que eu presisava. Quem sabe, aproveitando a atmosfera amorosa, não iria sair dali "desbevelizado"?
Eu, ela e a nossa amiga resolvemos ir juntos e, para isso, tivemos que constranger os pais da minha amada a nos levar. O tal sortudo, que iria compor o nosso quarteto, foi independente. Joguei indiretas, pois meu modo tímido, daquela época, não me permitia ir além das barreiras. Lembro que até ensinei o caminho errado para ir ao parque e aleguei "estar nas nuvens". Me cansei de jogar indiretas. Ao chegar no local, o tal casal protagonista se punham à parte e eu ficava, em vários momentos, a sós com a minha amada. Mas tinha um pequeno problema: Eu era muito frouxo! Devia ter acompanhado ela em todos os brinquedos e agarrado ela na primeira oportunidade que tivesse. Devia ter enfrentado a montanha russa, a casa do terror. Era eu quem deveria dizer que iria ficar tudo bem pra ela, não o inverso. Mas eu era frouxo! Se hoje, eu tivesse outra chance dessa, não dava outra: canalizaria todos os meus anos de abstinência num só momento.Voltei para casa sem ela e sem seus beijos. Talvez voltei até mais vazio do que quando fui. Tinha demonstrado fraqueza e imaturidade. Não tinha mais certeza se ainda teria uma chance.
E as confidências não paravam de chegar. Sentimentos de inveja e cobiça me tomaram por alguns instantes. Sentimentos que nunca eu tinha provado! Insisti na ideia de que precisava apenas de algumas outras chances e coragem para ficar de vez com ela. Até que dois anos se passaram e minha batalha ainda continuava! Vieram chances e não tive coragem. Algumas vezes tive coragem, mas me faltou chance. Com o tempo, as minhas estratégias foram ficando cada vez mais escassas. Agora, eu não sabia mais se valeria a pena prosseguir com tudo aquilo. Tentei até esquecer. Dia após dia tentava retirar todo aquele sentimento que plantei. Mas era tarde. Já estava arraigado no meu ser. E ainda para agravar a situação, descobri que tudo acabaria e que tinha que acabar. Ela iria se mudar e todo o nosso namoro "se-ela-souber-acaba" iria por água abaixo junto com todo o meu esforço. Como seria agora? Eu precisava dela para viver!

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