terça-feira, 26 de abril de 2011

Capítulo 5 - Uma nova chance - Amores de uma vida I

         Três anos se passaram e as marcas da puberdade me mudaram. Eu estava mais bonito, mais vigoroso. A dúvida a respeito da opinião dela a minha nova carapaça me estimulava a seguir com a nossa amizade. Não que eu estivesse irresistível, mas eu estava da altura dela agora! Já era alguma coisa - pelo menos, era o que eu achava. Quando o novo fato chegou aos meus ouvidos, - de que algum sapo novo estava coaxando na minha lagoa para minha princesa - a comparação foi inevitável. Tentei saber de tudo. Como ele era, se ela realmente estava gostando dele, quantos anos ele tinha e algumas outras informações. A imagem do indivíduo se formou na minha cabeça e já me sentia inferior por isso. Ele era bem mais velho que eu. A maneira como ela o descrevia tinha um pouco de entusiasmo excessivo. Aquilo me fez acreditar que realmente só seríamos amigos. Ele estava do lado dela todos os dias, enquanto eu só podia oferecer alguns telefonemas nostálgicos. Era uma luta injusta. Outro dia, tentei falar com ela. A resposta me doeu por dentro: "Estou na churrascaria junto com toda a família do meu namorado porque hoje é aniversário dele." Conhecer a família é um passo muito importante na relação e, às vezes, decisivo para a continuidade do mesmo. As minhas esperanças estavam se esvaindo e as chances de vê-la de novo já estavam ficando mais raras.

   Foi então que surgiu uma nova oportunidade: Um concurso. Faria algumas provas, com algumas fases, sendo a última na cidade em que ela morava. Parecia que tudo já estava arquitetado, planejado. Tantas cidades para sediar o concurso justo a dela ganhou o título. Conhecidência? A chama que estava se apagando se emergiu de uma forma que impressionou quem a detivera. Já imaginava, como uma vaga lembrança, o nosso reencontro, o que iríamos fazer e o que podia acontecer, apesar de que, quando tornei a vê-la, não ocorreu nada do que subiu a minha mente, pelo menos, não da forma como pensei. O concurso, em si, não tinha tanto atrativo. Não tinha uma premiação memorável. Muitos até disseram que eu era louco em fazer. Gastaria tempo, perderia noites somente para um concurso estúpido. Meros mortais! Não conseguiam entender a causa nobre que me motivava. A possibilidade de tê-la em meu olhar novamente e, mais que isso, em meus braços me motivava a fazer todas as provas, fase após fase, batalha após batalha. Essa possibilidade, somente a existência dela, já era meu consolo. Saciou-me e aquietou meu coração por algum tempo. O que era somente uma ideia agora estava se concretizando e só dependia de mim para se tornar real. Tirei das mãos do acaso e eu mesmo fiz a minha sorte.

    Passaram-se, então, várias tardes de estudo seguidas de várias fases motivadas pelo grande prêmio final: vê-la novamente. A cada etapa vencida, o meu coração batia mais forte. Parecia não acreditar no que estava acontecendo. Algumas vezes, pensei que dali não passaria. Via algumas pessoas sendo excluídas da competição e ficava amedrontado de ser o próximo da lista. Até que fizemos a nossa última fase. A expectativa era muito grande. Afinal, seria dita a palavra final, se iria ou não, se reencontraria o meu grande amor ou não. Um dos meus companheiros me disse que não passei. O mundo caiu. A Terra, pra mim, parou de girar. O inverno seria perpétuo em minha vida.  Me fiz de forte e já maquinava outra forma de chegar à prisão dos meus sentimentos - era para ela que todos os meus desejos e anseios estavam sempre direcionados. Até que o suposto amigo - estou rodeado deles - me confessou que tudo fazia parte de uma  brincadeira e que eu passei. Quase não acreditei.

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