Reflexões sobre a vida, cotidiano, amor, amizade e outros sentimentos tipicamente humanos são o foco deste blog.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Um cachorro, Um preconceito
Um rapaz estava almoçando, nada de anormal. Um cachorro vira-lata, que andava pelas redondezas, queria apenas brincar e subiu em cima do degustador, lhe atrapalhando a refeição. Ouvi-se um grito:
- Preto safado, sai de cima do rapaz!
Da mesma forma que aquela voz se emergiu, um constrangimento tomou o local. A cor do cachorro era preta. Todo preto, sem nenhuma mancha. Mas a associação com a raça negra logo se fez. Uma indignação tomou o meu coração. Se fosse um cachorro branco, um rapaz branco, e branco junto com o xingamento, seria tão constrangedor?
Ouvi, também, um deboche proposital esses dias. Uma Negra disse que ia a praia e a outra perguntou o que mais a mulata iria bronzear. Com uma ironia cruel, a preconceituosa complementou perguntando se a Negra iria bronzear os dentes. Aquilo me corroeu por dentro. Teve humor. Humor preconceituoso. Por trás daquele comentário, tinha um pouco de preconceito, um pouco de valores históricos, um pouco de valores europeus, um pouco de colonialismo, um pouco de escravidão, um pouco de desumanidade.
Isso tudo tem fundo histórico. Todos viam os negros como subpessoas, subhumanos, subalmas. Compravam e vendiam. Usavam e abusavam. Maltratavam e desrespeitavam. De uma hora para outra - em tese - todos foram libertos estavam no meio de todos, ou melhor, no meio dos brancos - Claro que se teve várias leis antes da lei áurea, mas foi ela quem libertou, de fato, todos eles. A cabeça das pessoas daquela época deve ter entrado em parafuso. Tanto a dos branco que se achavam superiores, quanto a dos negros que se sentiam inferior. Evoluímos tanto, mas com resquícios tão primitivos! Tudo isso não justifica o tratamento que muito dão a alguns dos seus semelhantes afro-decendentes. Temos que olhar para a alma da pessoa, saber o que ela é de verdade. Cor e sexo não existe para a alma. Beleza anímica independe de cor da pele. Temos que parar de agir como modernianos e olhar para o futuro e realmente nos tornar do século XXI. Tenho amigos e amigas brancos, negros, mulatos, amarelos, chatos, irritantes, amáveis, meigos e outras tantas qualidades que nunca pararia de citar. Não podemos nos guiar por algo externo se é o que está lá dentro que conta. Há duas amigas minhas paranóicas com esse assunto. Deixo aqui minha sincera homenagem, não só a elas, mas a todos os negros. Para a raça guerreira, subjugada, que enfrentou tudo, todos e hoje não tem limites para as coisas que fazem. A genética nos comprova. São superiores e é a evolução da nossa espécie. Apesar de não ter uma coloração tão escura, tenho orgulho de ter sangue negro. Sangue de quem clama pela liberdade. Sangue de quem quer mais igualdade. Sangue de um ser humano.
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