Identidade restrita
Reflexões sobre a vida, cotidiano, amor, amizade e outros sentimentos tipicamente humanos são o foco deste blog.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Capítulo 12 - Outro começo, outro amor - Amores de uma vida II
Lembro-me muito bem do dia em que nos encontramos. Achei-a bonita. Fazia tempo que não a via. Encontrei-a na igreja depois de tantos anos sem seu convívio. Sei que lá não é lugar para essas coisas, mas quem mais senão Deus para entender como surge o amor nos homens? Conheci ela bem antes de me despertar para o amor. Ela ia passar as férias na casa da prima e encontrava-me às vezes. Era franzina nem tinha tantos traços notáveis. Trocávamos algumas poucas palavras talvez pela idade ou pelo pouco vocabulário em construção. Mas agora estava diferente. Os novos ares longe de mim a fizeram muito bem. Estava, agora, com novas formas, novos trejeitos, nova personalidade. Alegrou-se bastante ao me rever, o que foi recíproco. O que mais achei engraçado é que ela, logo que me viu, disse meu nome e eu não lembrava o seu de jeito nenhum. Fingiremos que ainda não lembro o nome dela. Só assim te contentarás com o fato de não saberes, leitor curioso. A minha tática mudou de coração, mudou de alvo, mas continuou a mesma paradoxidamente. Me aproximei buscando somente uma amizade, mas, no fundo, queria me apaixonar novamente. Não me julgem mal pelas minhas falcatruas, mas era, sim, para a esquecer a primeira lá que já não te lembras bem. Ficávamos mais íntimos a cada dia e já contava os meus segredos, inclusive da minha decepção recente. Achei que, assim, ganharia a confiança dela e daria aquela brecha que eu queria para encontrar outro amor. E ela estava reagindo bem. Também começou a contar seus probelmas, suas dúvidas e anseios. Havia uma amiga dela que comecei a conhecer pela aproximação excessiva. Como os segredos já naquela época não eram resistentes à nossa amizade, logo fiquei sabendo que essa amiga dela estava gostando de mim. Meu tiro saiu pela culatra. Não que essa conhecida não merecesse o meu amor ou ser amada, mas meu alvo era outro. Eu estava decidido para quem eu devia me declarar. Eu não estava muito acostumado em ter alguém apaixonada por mim. Eu estava do outro lado da realidade. Na maioria das vezes, era eu quem me declarava, era eu quem me apaixonava e nunca ao contrário. Adorei e odiei a ideia ao mesmo tempo. Adorei porque era fruto dos sonhos de alguém, mas odiei por não corresponder. Adorei porque estava sendo tido como algo bom - minha nova carapaça estava funcionando -, mas odiei porque não era a minha escolhida quem me declarava amor. Soube disso, mas preferi fingir que não entendi muito bem ou algo do tipo. Hoje vejo a cena como algo cômico. Eu querendo conversar com a minha amada e a amiga dela querendo conversar comigo. Que triângulo engraçado! Se tu, leitor amigo, conhecesse os três indivíduos que o formavam, irias rir todo por dentro. O amor tem esse efeito nas pessoas. Deixa-as anestesiadas para a realidade. Chegava ser até ridículas as nossas atitudes de cobrança de atenção. Apesar da amiga, não desisti da minha conquista. Queria ela e somente ela. Encarei a amiga como a pedra que o destino quis colocar no caminho. O tão sarcástico destino! Era como se ele quisesse me mostrar como é ser alvo dos desejos de alguém e não poder corresponder. Que droga! Estava me tornando mais compreensivo com a primeira que não me pôde fazer juras de amor...
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
I love tu
É muito bom ouvir uma música arquitetada; Uma melodia bem construída;
Mas as melhores músicas são feitas em picos de inspiração,
Em clímax de pensamentos, nas suas reflexões ao tomar café da manhã..
É muito bom ir ás compras;
Olhar milhares de roupas, experimentar muitas pra, na maioria, levar uma e olhe lá.
Mas as melhores roupas lhe chamam atenção,
Ocorre um sentimento; um afeto não corriqueiro.
É muito bom ir a vários restaurantes,
Provar de tudo um pouco, ter seu dia de degustador,
Mas as coisas mais saborosas são lhe oferecidas no súbito;
Quando alguém coloca o garfo em sua boca;
Quando alguém susurra no seu ouvido perguntando se gostou.
É muito bom procurar a menina perfeita;
Se divetir com as erradas, levar fama de pegador,
Mas é perfeito quando ninguém marca o momento.
Quando você olha pra ela e ela pra você,
Quando o amor chega sem aviso prévio;
Quando a vida junta dois corações.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Tudo mundo gosta de em pizza
Fulano queria ser médico. Não pelo dinheiro, mas porque queria ajudar as pessoas. Estudou, se formou e foi exercer o cargo em um pronto-socorro particular. Estava adorando a profissão. Apesar de seus plantões, estava realizado por enfim estar ajudando as pessoas a se tratarem. Até que um homem chegou num de seus plantões. Ele era pobre. Foi atendido com os procedimentos triviais, mas morreu na maca porque não tinha dinheiro para custear os tratamentos daquele hospital tão requisitado. Aquilo era demais para o nosso médico. Se revoltou com a medicina por ter se vendido tão injustamente. Viu-se incapaz de cumprir o que se propunha. Preferiu mudar de profissão.
Fulaninho - como era chamado por alguns íntimos - resolveu ser advogado. Não pelo dinheiro, mas porque queria se empenhar em defender os inocentes. Estudou, se formou e foi exercer o carga num desses escritórios que conhecemos. Conseguiu alguns casos e estava contente com o progresso de todos até que um homem chegou e se sentou no tal escritório do nosso advogado. A causa do cliente estava certa. Mas ele não tinha como pagar ao recém formado em direito. Fulaninho acompanhou o caso de longe. Envolvia gente da alta sociedade e é claro que aquele mísero homem não conseguiu vencer. O dinheiro falou mais alto. Fu teve desgosto de seu cargo. Resolveu mudar de profissão.
PS: Se você exece um desses cargos e não tem essa atitude, não se ofenda. A crítica é somente para os que não cumprem com seu dever.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Literatura e amor: tudo a ver
E eu que pensei que literatura não pudesse ser tão reflexiva...Na maioria das vezes, é bastante. Mas, dessa vez, foi demais. Me peguei novamente pensando nela no meio da aula. Tenho que parar com isso. Dessa vez, falávamos sobre Clarice Lispector, a dama da terceira fase do modernismo.Viajei nas reflexões e no meu pão. Estava com tanta fome. Fome de ver e de comer. Apesar da fome incomum, a aula não estava monótona. Meu professor é desses que consegue prender a atenção de todos. Invejem-no. Voltando a tal dama, achei que Clarice é estúpida. Não se pode amar alguém que escreve com ideias tão desordenadas. É confuso, é efuso, é constrangedor não entendê-la. Ainda mais quando ela mergulha no universo feminino. Comecei a gostar de Clarice por causa disso, porque odiar, de fato, eu já odiava. Lembrei da minha metade por causa do universo tão sarcástico que a autora propõe para nós como sendo feminino. Lembrem-se: é preciso conhecer para dominar. Me vali deste tão consagrado ditado e resolvi dar uma chance a essa clarice que me cegava os olhos. Elas só querem ser desejadas. No fundo, se resume a isso. Mas isso é tão abrangente... Fazer a minha amada se sentir assim não é tão fácil. Nem jogarei o desafio a ti. Estarias morto se tentasse me superar no meu labutar diário. Mas Macabeia... Pelo amor de Deus! Nem forçando saía amor. Aliás, não se pode fazer isso. Mas minha epifania foi mais marcante do que a dos meus companheiros. Aconteceu dentro de mim. Vi na morte de Macabeia, a morte de um pouco de mim. Não, eu não sou desgraçado de masculinidade. Mas percebi que até agora eu vivia, vivia e vivia sem me dar conta de que existia. E conclui melhor que Descartes: Se penso nela, logo eu existo. Ficou melhor assim, não é? Se não achou, tenho certeza que és ou machista demais ou cético demais. Dentro de mim começou um conflito sobre quem eu realmente sou e o que quero ser. Cheguei a conclusão. Sou de Deus, mas quero ser somente dela, nada mais. Isso seria rejeitar a Deus? Não seria aceitá-lo no último estado de sanidade que o homem possa chegar. Me tornaria um só com ela. E a morte? Prefiro deixar Macabeia morrer só. Me desculpem mas já tenho outro amor. Se ela morresse, eu ainda tinha morangos pra colher. Claro que antes disso passaria por um estado de insanidade que não sei até que ponto chegaria. Mas a hora da estrela é você que escolhe. Escolha viver hoje. Abra os olhos. Faça a imagem chegar na retina. Deixa a luz penetrar pela pupila. Veja. Não esqueça do amanhã. Mas veja. Viver só por viver está fora de moda.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
História e amor: tudo a ver
E eu que nem esperava uma reflexão tão profunda. História é por si só reflexiva sempre, mas alguns professores insistem em fazer reflexões superficiais. O meu não. Eu, que, especialmente hoje, estava feliz por causa de uma pessoa especial, me peguei pensando nela no meio da aula de história. Talvez não fosse certo perder meu foco assim, mas você sabe como é quando se está apaixonado. Mas dessa vez a minha fuga momentânea teve o seu motivo. Falávamos de filósofos. Mais especificadamente, São Tomás de Aquino e São Agostinho. Homens ilustres. Ideias ilustres. Grandes reformadores. Talvez você não quisesse saber da minha apaixonite tão imprópria para quem quer ler sobre História. Mas entenda que esse foi meu pretexto e está tudo amarrado pelo contexto que logo entenderás. Esses dois filósofos medievais beberam lá da antiga reflexão grega que estamos acostumados a ouvir: Platão e Aristóteles. Agostinho se identificou com Platão e Aristóteles com Tomás. Platão pensa que existia dois campos, dois mundos pelos quais as nossas ideias eram suspensas. Um era o mundo sensível, o mundo onde tudo era perfeito e o outro o mundo concreto, o nosso mundo que refletia o tal mundo perfeito que existe no campo das ideias, imperfeitamente. Já Agostinho, sacerdote resignado de seus prazeres e diversões, escreve em Confissões um teorema clássico deste típico tipo de texto. Mostra o quão era vadio e o quando melhor ele ficou depois que conheceu a Cristo. Com isso, se mostra-se incapaz de receber a salvação por merecimento, mas explicita a graça de Deus que no seu clímax de piedade, olhou-o com compaixão e resolveu mudar sua vida. Seria Deus quem nos escolheu e estávamos predestinados a sermos salvos. Depois escreveu sobre a cidade de Deus e a cidade dos homens. Nós temos que imitar a "sociedade" celestial. Típicamente platonista. Percebemos claras pontes entre estes dois gênios. E como eu e minha amada nos encaixamos nessa história? Eu e ela tentamos, de modo bem simplório, imitar aquele amor tão perfeito que idealizamos. No meu coração e no dela - claro domínio das ideias-, temos esse amor perfeito, essa dádiva que mais parece divino do que humano. Mas a nossa capa nos permite errar sobre esse amor e torná-lo mais nosso e trazê-lo para o campo real. Está ai a maestria de se viver. Amar com amor perfeito seria fácil, mas o nosso desafio é vencer o campo real e entrarmos, os dois, conectados no campo das ideias. Ainda penso que estávamos predestinados a nos amar...
Desculpe a você que estava lendo o texto para saber sobre os filósofos. Em respeito a vocês, voltarei ao que me propus anteriormente...Tomás era totalmente diferente do nossos amigos sonhadores. Resolveu estatizar os poderes. Organizar os postos eclesiásticos, cada um com sua hierarquia para que funcionasse como um organismo, uma corporação, uma cooperação. Aristóteles pensou parecido. Regulamentou - digamos assim - as matérias nomeando-as e tornando a compreensão do estudo e suas áreas de maneira mais simplória. Usamos suas definições até hoje. Tiramos algumas ciências - a poesia... pura prentenção nossa - e adicionamos outras, pela própria construção do saber. Tomás, que bebeu da fonte aristotélica, nos deixou um legado de livre arbítrio, de livre escolha. E mais uma vez minha fuga se fez na mente. Pensei que somos livres em amar quem quisermos amar. E fiquei feliz porque ela escolheu a mim para depositar todos os seus sonhos e seus pesadelos.
A reflexão é que os dois parecem opostos, mas acho que se complementam. O amor de Deus é sublime sendo o amor dos homens um reflexo desse amor maior. Estamos predestinados a amar aquela que amamos porque não controlamos muito bem o que sentimos ou para quem o coração vai acelerar. Estamos predestinados a sermos salvos por Deus. Mas a escolha e aceitação se faz presente. Se não quisermos a Deus, é impossível que se estabeleça a relação. Se não quisermos nos relacionar com determinada pessoa, isso não vai acontecer. Às vezes, fatores como distância ou inconstância nos impede de amar alguém com todas as forças. Prefiro essa História do que apenas aquela de datas e fatos...
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Capítulo 11 - O término esperado - Amores de uma vida I
Voltei à minha vida cotidiana, mas não a tirava da cabeça. Pensava em possibilidades, em outras chances, mas nada parecia acontecer. Continuamos nos comunicando e cada vez mais a saudade apertava. Talvez antes de vê-la, pudesse suportar a saudade. Mas, agora, lembro-te que a vi, ela me viu, e percebi que nada mudou ou pelo menos eu achava que nada tinha mudado. Percebi que eu teria uma chance, sim, se estivesse ao seu lado. Detesto lançar cantadas. Prefiro mostrar poemas, músicas, mas detesto galantear alguém com frases tolas. Mas elas parecem inevitáveis às vezes. Lançava todo o meu charme, as melhores palavras, os melhores poemas, meus melhores pesamentos, minhas melhores músicas. Compus outra música na intenção de ganhá-la mais rápido, apesar de que ainda ela estava presa ao baixinho ciumento. A primeira, aquela que te falei no início, ela havia perdido na mudança. Também nem estava tão boa assim. Com essa outra, eu esperava atalhar o caminho do coração dela, mostrar o quanto vazio eu era sem ela e mais: dar um golpe de rasteira no tal namorado. A música era assim:
A ceita o meu amor que hoje venho pra te dar.
Podem fazer suspiros longos! Estava realmente apaixonado. A reação dela foi a esperada. Achou linda, mas não caiu de amores. Talvez pela minha imaturidade e pelo amor que já se instalou em meu peito por todos esses anos, cobrava dela a posição de estar apaixonada por mim ou não. É, às vezes, eu esquecia que ela estava namorando ainda e queria que ela se decidisse a qualquer custo. Estava um pouco cansado de suspirar, esperar, amar alguém que talvez por acaso algum dia poderia me corresponder. Juntamente com essa pressão, houve ainda um mal entendido; um falha na comunicação. Esqueci, uma única vez, de consultar o manual de instruções dela que sempre carreguei comigo todos esses anos. Ela disse que faria um determinado penteado - bem diferente acreditem - e me pediu a opinião. Brinquei, disse que aquele corte era bastante ousado para a sua personalidade tão respeitável. Realmente era somente uma brincadeira. Achei que aquilo passaria como tantas outras brincadeiras que já fiz. Mas não passou. Esqueci de ler, lá no manual, a frase: deixe claro, muito claro, claríssimo suas opiniões em relação ao cabelo dela. Tanta foi a minha pressão e insistência que aconteceu a última coisa que eu queria que acontecesse. O cabelo só foi a fagulha para explodir o que já vinha sendo contido. Fui carinhoso como sempre. Fiz cantaroladas como de costume, apesar de detestar. Ela, dessa vez, não aderiu ao meu espírito shakespeareano. Me deteve nas elevações, nos meus suspiros, nas minhas frases que não saíam mais da minha mente, mas do profundo do meu coração. Disse para eu seguir com a minha vida e me conformasse; que estávamos longe para termos algum relacionamento. Apunhalou-me dizendo que só me tinha como amigo e que não deveria me iludir e que estava com alguém e que eu deveria fazer o mesmo. Escarniou-me dizendo que eu tinha mudado e a opinião sobre o cabelo evidenciava ainda mais que estávamos distantes de sermos um só. Lembro-te que um reino dividido não subsistirá, segundo as sagradas escrituras, e que, se começássemos pensando diferente, seria o pressuposto para não durarmos muito juntos. Afirmou que ela também havia mudado e que não era; repito; não era a menininha que conheci a tantos anos, nos meus tempos áureos. Ouvi tudo atentamente, analizando cada palavra, buscando uma saída para tanta pedra na nascente do meu rio que havia sido o mais duradouro até agora. Um ego ferido não é lá algo que consigas reter sozinho. Não escapei à regra. Retruquei, depois de um longo silêncio:
- Se mudei e você mudou, o que temos em comum?
É melhor pararmos de nos falar. Não nos conhecemos!
- Se quiser conversar, ainda estarei aqui.
Estava muito mal. Andava falando com uma desconhecida e nem sabia. A menininha para quem eu escrevia as músicas não era a mesma. Ela havia ficado diferente. Nem parecia que era a mesma que adorou me ver, que não se importava em ser vista pelo namorado comigo e que havia me abraçado forte naquele dia. Percebi que tudo foi em vão e que não era ela quem eu amava mais. Era esse sentimento que se instalou na hora da explosão. Amava somente sua projeção. Amava o meu passado. Aquele primeiro amor me tirava agora meu coração. Não culpe-me, caro leitor. Ela cresceu e estava diferente. Não tive participação nisso. Assim como não podia culpá-la porque eu também não era o mesmo. Eu não era aquele frouxo que não aproveitou os poucos segundos que lhe foram dados. Mas eu nunca me conformei com fins trágicos. Sempre aprendi que a vida era dura, mas não admitia isso pra mim. Entenderás que aquele mesmo sarcasmo temporal se fez aqui também e que tudo isso foi necessário para amá-la ainda mais. Por enquanto, porém, esquece-a, a partir de agora, assim como eu a esqueci. Todos os pronomes do caso reto femininos terão outros significados daqui pra frente. Apagues tudo o que vistes para entender o meu amor subsequente. Poupe-me de cronologias. Não sei a partir de quando comecei a esquecer uma e amar outra, mas os próximos pronomes já sabes: serão de outra dona.
Eu queria esquecer de tudo,
Das coisas que lembram você, mas não dá! Mas não dá!
Se lembra daquele muro que eu esperava você passar
Ou ficava no telefone, esperando você ligar,
Me aceitar! Me aceitar!
Aceita esta flor que acaba de brotar.
A primavera vem, ao teu lado quero estar.
Se você não ficar comigo, com quem vou ficar!
Eu não consigo nem tenho como, o meu amor, não posso controlar.
Só te peço, me dá uma chance. Quero fazer teu mundo parar!
Te amar! Te amar!
Eu espero você de noite, de dia, em todo lugar.
Tento te esquecer. Não posso!
Pra quê eu fui te amar? Te amar! Te amar!"
Podem fazer suspiros longos! Estava realmente apaixonado. A reação dela foi a esperada. Achou linda, mas não caiu de amores. Talvez pela minha imaturidade e pelo amor que já se instalou em meu peito por todos esses anos, cobrava dela a posição de estar apaixonada por mim ou não. É, às vezes, eu esquecia que ela estava namorando ainda e queria que ela se decidisse a qualquer custo. Estava um pouco cansado de suspirar, esperar, amar alguém que talvez por acaso algum dia poderia me corresponder. Juntamente com essa pressão, houve ainda um mal entendido; um falha na comunicação. Esqueci, uma única vez, de consultar o manual de instruções dela que sempre carreguei comigo todos esses anos. Ela disse que faria um determinado penteado - bem diferente acreditem - e me pediu a opinião. Brinquei, disse que aquele corte era bastante ousado para a sua personalidade tão respeitável. Realmente era somente uma brincadeira. Achei que aquilo passaria como tantas outras brincadeiras que já fiz. Mas não passou. Esqueci de ler, lá no manual, a frase: deixe claro, muito claro, claríssimo suas opiniões em relação ao cabelo dela. Tanta foi a minha pressão e insistência que aconteceu a última coisa que eu queria que acontecesse. O cabelo só foi a fagulha para explodir o que já vinha sendo contido. Fui carinhoso como sempre. Fiz cantaroladas como de costume, apesar de detestar. Ela, dessa vez, não aderiu ao meu espírito shakespeareano. Me deteve nas elevações, nos meus suspiros, nas minhas frases que não saíam mais da minha mente, mas do profundo do meu coração. Disse para eu seguir com a minha vida e me conformasse; que estávamos longe para termos algum relacionamento. Apunhalou-me dizendo que só me tinha como amigo e que não deveria me iludir e que estava com alguém e que eu deveria fazer o mesmo. Escarniou-me dizendo que eu tinha mudado e a opinião sobre o cabelo evidenciava ainda mais que estávamos distantes de sermos um só. Lembro-te que um reino dividido não subsistirá, segundo as sagradas escrituras, e que, se começássemos pensando diferente, seria o pressuposto para não durarmos muito juntos. Afirmou que ela também havia mudado e que não era; repito; não era a menininha que conheci a tantos anos, nos meus tempos áureos. Ouvi tudo atentamente, analizando cada palavra, buscando uma saída para tanta pedra na nascente do meu rio que havia sido o mais duradouro até agora. Um ego ferido não é lá algo que consigas reter sozinho. Não escapei à regra. Retruquei, depois de um longo silêncio:
- Se mudei e você mudou, o que temos em comum? É melhor pararmos de nos falar. Não nos conhecemos!
- Se quiser conversar, ainda estarei aqui.
Estava muito mal. Andava falando com uma desconhecida e nem sabia. A menininha para quem eu escrevia as músicas não era a mesma. Ela havia ficado diferente. Nem parecia que era a mesma que adorou me ver, que não se importava em ser vista pelo namorado comigo e que havia me abraçado forte naquele dia. Percebi que tudo foi em vão e que não era ela quem eu amava mais. Era esse sentimento que se instalou na hora da explosão. Amava somente sua projeção. Amava o meu passado. Aquele primeiro amor me tirava agora meu coração. Não culpe-me, caro leitor. Ela cresceu e estava diferente. Não tive participação nisso. Assim como não podia culpá-la porque eu também não era o mesmo. Eu não era aquele frouxo que não aproveitou os poucos segundos que lhe foram dados. Mas eu nunca me conformei com fins trágicos. Sempre aprendi que a vida era dura, mas não admitia isso pra mim. Entenderás que aquele mesmo sarcasmo temporal se fez aqui também e que tudo isso foi necessário para amá-la ainda mais. Por enquanto, porém, esquece-a, a partir de agora, assim como eu a esqueci. Todos os pronomes do caso reto femininos terão outros significados daqui pra frente. Apagues tudo o que vistes para entender o meu amor subsequente. Poupe-me de cronologias. Não sei a partir de quando comecei a esquecer uma e amar outra, mas os próximos pronomes já sabes: serão de outra dona.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Costumes pouco prováveis
Viver sem teu carinho, sem teus beijos.
Sem horas de suspiros nem sucções nos meus ouvidos.
Sempre detestei tudo isso...
Eu acho que me acostumei a ser somente teu amigo,
Ter abraço incompletos, afetos superficiais.
Me acostumei a não mais te querer
Enxerguei defeitos onde não haviam,
Escamas nas aves, verruga na Estátua da Liberdade.
Você não era boa o bastante pra mim..
Acostumei a não sentir teu cheiro,
Senti o cheiro do esgoto do outro quarteirão,
Preferi me poupar de poucos segundos de êxtase.
Acostumei a não ter você.
Já passei de fase, já virei a página, já enterrei o que estava morto.
Queria chamar você a qualquer hora,
Mas tive que entender que não sou dono do teu coração.
Nem queria que estivesse do meu lado mesmo.
Queria te aprisionar para que fosse minha pra sempre
Mas tive que entender que grades não prendem corações
Nem algemas seguram aqueles que não querem ser presos.
Mas também nem queria seu corpo junto do meu
Muito menos ouvir aquela doce voz toda manhã.
Nem tão pouco queria sentir o cheiro que me prendeu por anos a você.
No fim de tudo, vejo um vazio. Um espaço. Um nada.
No fim de tudo, vejo a imensidão. A solidão. O sofrimento.
Está bom. Eu confesso.
Percebo que não, eu não me acostumei a não ter você na minha vida;
Preciso dizer isso com todas as palavras...
Não ter o teu sorriso toda manhã;
É, você é perfeita e tenho que admitir
Não ter tua mão na minha;
É, você sabe que ainda as mãos suam quando te vejo
Não me acostumei a não poder te amar!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Estação errada
Ah! Já é verão.
Estamos bem distantes.
Porque justo agora mudou a estação?
O outono me trouxe você.
Enquanto as folhas caiam, eu lamentava por não ter ninguém.
Com quem veria as flores brotarem,
Com quem veria o pôr-do-sol entre as nuvens?
Nos topamos no parque quando a última folha caiu.
Seria o início de uma longa lástima, se não fosse você.
No inverno, me apaixonei sem querer.
A lareira nos deixou próximos.
Um cobertor nos cobria, apenas um.
Todos tinham frio, mas nós tínhamos o mais real calor.
Passou-se dias, o tempo ameaçou abrir.
E fostes como viestes.
Aondes estás?
Talvez tenha ido ver as flores em outro pomar,
Em outro lugar, em outra estação.
Volta frio, volta neve,
Volta chuva pra que se apegue em mim de novo.
Quem sabe, se fizer o mesmo friozinho,
Você não venha procurar o meu calor carinhoso?
Volta angústia e tristeza.
Somente assim, o amor, com certeza,
Brotará em nós de novo.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Censura na Internet: Utopia?
Existe uma discussão hoje em torno de todo o conteúdo da internet. Ela, em sua essência, é o campo em que a impressa expressa toda a sua liberdade sobre os mais variados assuntos. Mas até onde essa liberdade é boa? Existe uma maneira de selecionar os conteúdos que vão ao público? Isso seria uma forma de censurar a impressa moderna?
Estamos na era digital. Todo mundo hoje está, de alguma forma, conectado ao mundo virtual através das redes sociais que cada vez mais tem seus adeptos. O problema dessa era da informação é que os conteúdos, desde os educativos aos mais polêmicos, são disseminados a qualquer um a qualquer hora. Imaginem que uma simples criança - elas parecem que já nasceram sabendo de todo o mundo cibernético - entra em um conteúdo e descobre coisas que não deveria saber, coisas que não compete com sua idade. Com certeza, não será bom para sua formação. Imaginem que isso aconteça a toda hora, em todo lugar do mundo. É quase como criar uma geração de jovens precosses, jovens que tiveram suas iniciações sexuais antes do tempo, por exemplo.Por outro lado, os provedores têm que garantir aos usuários a liberdade de postar ou colocar a público qualquer assunto obedecendo assim os princípios básicos da internet que é a ligação e a troca instantânea de informações. Lembro que censurar alguns assuntos ou privar alguém do conhecimento deles é censura e seria um retrocesso ao período em que não podíamos nem produzir textos que falassem de liberdade sem sermos considerados comunistas. Jogar para o servidor, ou provedor, ou empresa, ou governo essa capacidade de qual seria o conteúdo próprio para a família seria reerguer o DIP e torná-lo mais forte do que nunca. E ao mesmo tempo deixar que todo tipo de conteúdo seja oferecido pode nos trazer grandes prejuízos morais daqui a um tempo.
O ideal seria nós escolhermos o que ver, assistir ou acessar e ensinarmos nós mesmos às nossas crianças sobre as coisas da vida. Se elas vêem primeiro na internet, é porque os pais não a instruíram antes. E esse está a raiz comum de todos os problemas. Os pais têm deixado de fazer o seu papel: o de educar seus filhos. Por isso, alunos brigam na escola com tal e maior violência de antes. Por isso, a gravidez cada vez mais precose. Por isso, a perda de tantos jovens para as drogas. Os culpados serão, então, somente os pais? Não! A culpa é da própria internet. É utopia querer este tipo de restrinção nesse ambiente. Essa questão parece, então, não ter solução. Precisamos evoluir mais ainda para entender o que ainda é tão complexo. Ainda não achamos a resposta pra tantas coisas. Quero fechar os olhos quando tudo isso perder o rumo de vez.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Capítulo 10 - O Reencontro - Amores de uma vida I
Depois da entrega dos "prêmios", resolvemos relaxar para tirar a tensão daquele dia bom para alguns e ruim para outros. Eu nem estava com vontade de ir, mas estávamos em outra cidade! Iria me arrepender depois se não fosse. Prometi algumas lembrancinhas para algumas pessoas queridas. Ela havia me dito que talvez fosse, mas não era nada certo. Deixei-a livre porque a amava demais. Se ela queria ficar com ele, tudo bem. Eu havia passado meio país para vê-la, mas o que isso valia? Difundimo-nos entre os compradores e, assim como os nossos interesses, seguimos as mais diferentes direções. No início, fiquei com um pequeno grupo, mas a necessidade de me sentir livre fez eu me isolar, mesmo estando "preso" ou limitado naquele lugar e estando totalmente envolvido por pessoas; outras pessoas. Andei de loja em loja buscando os tais presentinhos prometidos. Quase me arrependi de ter prometido. Uma única lágrima contida fazia-me focalizar nesta busca por completo. Queria esquecer de todos os acontecimentos anteriores. Tentava demonstrar que estava tudo bem pra todos, mas algo me corroía por dentro. Não sei descrever muito bem o que sentia. Era um misto de tristeza com nostalgia; angústia e decepção. A minha busca incessante pelos presentinhos era somente um pretexto para procurar um presente específico. Procurava em todos os rostos um conhecido. Queria me despedir dela descentemente. Tive, por várias vezes, a impressão de ter a visto, mas só foram impressões equivocadas. Deu-me fome. Precisava comer algo. Nem tinha almoçado. Agora, além de um vazio cardíaco, um estomacal resolveu querer suplantar o primeiro. Claro que não conseguiu. Quando estamos tristes, as necessidades da mente - no caso, coração - parecem que se tornam superiores às outras necessidades e tornam as outras supérfluas. A fome se torna um detalhe no meio de tanta nostalgia.
A praça, onde eram oferecidos os mais diversos alimentos, estava completamente lotada. Era um dia de descanso e lazer para todo mundo. Fui uma por uma, oferta por oferta, sugestão por sugestão. Passei por uma sala onde assistia-se filmes e tive mais uma impressão daquelas que quase me infartaram. Mas, desta vez, meus olhos não me enganaram. Era ela, sim! Estava linda, arrumada. Diferente do dia anterior, mas perfeita como sempre. Agora, estava mais descansada, mais harmônica, mais apaixonante. Estava conversando com um homem e logo entendi que se tratava do que tinha roubado ela de mim, por quem eu tinha, de uma certa forma, um respeito de rival. Se tratava do namorado dela. Era bem diferente de como tinha imaginado. Bem diferente de todas as formas que eu, ou minha mente, lhe havia atribuído. Fui me aproximando e fiz questão de olhar pra ela. Ele, de costas, nem notou que eu lhe roubara, por um instante, a atenção de sua amada. Fingi ir comprar numa das lojas e antes que eu chegasse lá, ela caminhou do meu lado. Queria abraçá-la, mas ela fez sinal para eu continuar andando. Imediatamente, a mensagem foi recebida e logo executada. Parei na tal loja que eu iria usar de pretexto anteriormente e ela seguiu outro caminho. Quando olhei para o local onde a vi antes e vi ele sozinho, entendi que era por causa dele que não demonstramos afeto mútuo. Ele estava bem atrás de nós quando estávamos caminhando juntos. Se abraçasse ela ali, ela teria que dar explicações longas, gastar toda a sua lábia advocacional - se é que a tem - para convencê-lo a prossegui no relacionamento. Senti-me como que fosse o amante, mesmo sem ter feito nada de errado. Na verdade, nem vi a cara do sujeito. Mas respirei aliviado. Eu, talvez, não fosse tão superior, mas sabia que ele também não era. A única coisa que ele tinha em vantagem era morar na mesma cidade que ela. Falei com ela e marcamos um lugar para nos encontrarmos. Suava frio como da primeira vez. O destino havia nos juntado de novo. Ele estava sendo sarcástico e bondoso comigo ao mesmo tempo. Ele sabia ser comedido em todas as suas ações.
Fui chegando perto dela e tentei transparecer calma, tranquilidade quando, na verdade, queria correr o mais rápido que pudesse. Abracei-a, mais forte do que na primeira vez. Aspirei o máximo de ar junto dela para que o perfume dela permanecesse por mais tempo nas minhas narinas. E que cheiro! Era um cheiro que me fazia flutuar. Era quase que uma droga para o meu coração tão esperançoso, tão paciente, tão fadigado por tantos anos longe da autora dos seus sentimentos mais fortes, mais intensos, mais românticos. Podia passar horas, dias, anos cheirando seu perfume ou até a vida toda... Como o destino foi escarniático comigo! Conversamos um pouco. Rimos um pouco. Nos aproximamos menos ainda! O fato daquele ser o ambiente mais visitado pelos amigos dela e, pior, pelos dele fez-nos manter uma certa distância. Ela tentou racionificar essa atitude. Disse que ele era atreito a ciúmes. Brinquei logo com as palavras dela. Falei sobre falta de confiança e mais algumas coisas. Afirmei que comigo seria diferente porque eu confiava, confio, nela e ela confiava, confia em mim. Não sei ao certo se surtiu muito efeito minha tentativa de sedução com estas palavras hábeis. Pra completar todo o sarcasmo, toda a brincadeira dos astros, um encontro com outra conhecida fez com que interrompêssemos a conversa - mais do que já estava sendo interrompida- e fez-me apenas segui-la, apenas admirá-la. Elas estavam andando, mas eu não sabia para onde. Chegamos na frente de uma loja de grande fama por seus tecidos e elas pararam. Eu parei junto. Fiquei só a espreitar. A conhecida se foi. Ela se voltou pra mim e disse que o namorado estava lá dentro a esperando. Disse-me que sentia por não termos tanto tempo juntos. E que ele estava apressado.
Abraçou-me e disse que quando eu fosse lá, passar mais tempo, iríamos nos divertir muito e que adorou me ver. A adoração à minha presença me fez gravar no meu coração a essencialidade de voltar para lá de novo; de sentir aquele êxtase pelo resto da vida. Abraçamo-nos forte e não queríamos largar-nos. Disse-a que ele podia nos ver. Ela disse que nem se importava. As expressões "adorei te ver" e "e nem me importo" pareceram resistentes ao tempo. Ecoaram na minha cabeça ainda por alguns longos dias. De vez em quando, ainda as escuto em alguma noite fria, numa manhã linda - mais especial do que o normal - para se apreciar ou quando estou de frente pro mar lembrando da minha saudosa menina... Desapeguei dos seus braços. O aderente que nos uniu por algum tempo teve que se desfazer. E a vi, mais uma vez, caminhando para o nada, se misturando no meio das pessoas. Mais uma vez me senti um brinquedinho do destino, uma marionete, um fantoche. Eu fiquei bem melhor,sim, mas ainda estava desapontado. Não havia recebido o que eu queria. Vê-la uma vez mais tinha sido somente um paliativo para toda a minha dor. Voltei para casa. No desembarque, tinha uma festa para os que ganharam. Saí pela culatra. Já não bastava a minha tristeza? Aquela festa afirmava e reafirmava que eu não havia ganho nada. Virou notícia em todo o estado a vitória dos meus companheiros. Tinha inveja? Não! Mas tudo aquilo assinava meu atestado de incompetência. Mas eu tinha visto ela e nada me tirava aquela alegria. Não era o que eu realmente queria? Me conformei com meu prêmio maior; com meu reencontro tão desejado; com o seu cheiro de novo nos meus pulmões. Tinha dúvidas do nosso futuro, mas queria viver cada tristeza de cada dia por vez. Preferi guardar na mente, lembrar a todo instante aqueles preciosos momentos que se tornaram tão eternos e ecoam até hoje.
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