Reflexões sobre a vida, cotidiano, amor, amizade e outros sentimentos tipicamente humanos são o foco deste blog.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Literatura e amor: tudo a ver
E eu que pensei que literatura não pudesse ser tão reflexiva...Na maioria das vezes, é bastante. Mas, dessa vez, foi demais. Me peguei novamente pensando nela no meio da aula. Tenho que parar com isso. Dessa vez, falávamos sobre Clarice Lispector, a dama da terceira fase do modernismo.Viajei nas reflexões e no meu pão. Estava com tanta fome. Fome de ver e de comer. Apesar da fome incomum, a aula não estava monótona. Meu professor é desses que consegue prender a atenção de todos. Invejem-no. Voltando a tal dama, achei que Clarice é estúpida. Não se pode amar alguém que escreve com ideias tão desordenadas. É confuso, é efuso, é constrangedor não entendê-la. Ainda mais quando ela mergulha no universo feminino. Comecei a gostar de Clarice por causa disso, porque odiar, de fato, eu já odiava. Lembrei da minha metade por causa do universo tão sarcástico que a autora propõe para nós como sendo feminino. Lembrem-se: é preciso conhecer para dominar. Me vali deste tão consagrado ditado e resolvi dar uma chance a essa clarice que me cegava os olhos. Elas só querem ser desejadas. No fundo, se resume a isso. Mas isso é tão abrangente... Fazer a minha amada se sentir assim não é tão fácil. Nem jogarei o desafio a ti. Estarias morto se tentasse me superar no meu labutar diário. Mas Macabeia... Pelo amor de Deus! Nem forçando saía amor. Aliás, não se pode fazer isso. Mas minha epifania foi mais marcante do que a dos meus companheiros. Aconteceu dentro de mim. Vi na morte de Macabeia, a morte de um pouco de mim. Não, eu não sou desgraçado de masculinidade. Mas percebi que até agora eu vivia, vivia e vivia sem me dar conta de que existia. E conclui melhor que Descartes: Se penso nela, logo eu existo. Ficou melhor assim, não é? Se não achou, tenho certeza que és ou machista demais ou cético demais. Dentro de mim começou um conflito sobre quem eu realmente sou e o que quero ser. Cheguei a conclusão. Sou de Deus, mas quero ser somente dela, nada mais. Isso seria rejeitar a Deus? Não seria aceitá-lo no último estado de sanidade que o homem possa chegar. Me tornaria um só com ela. E a morte? Prefiro deixar Macabeia morrer só. Me desculpem mas já tenho outro amor. Se ela morresse, eu ainda tinha morangos pra colher. Claro que antes disso passaria por um estado de insanidade que não sei até que ponto chegaria. Mas a hora da estrela é você que escolhe. Escolha viver hoje. Abra os olhos. Faça a imagem chegar na retina. Deixa a luz penetrar pela pupila. Veja. Não esqueça do amanhã. Mas veja. Viver só por viver está fora de moda.
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