Uma abordagem. Um revistamento. Nenhum tiro. Mas alguns xingamentos.
Passei ao largo de alguns "protetores da ordem civil" os quais me olharam de alto a baixo. Seja por mera formalidade, ou mero desleixo, ou por boçalidade! Achavam que uma farda resumia tudo o que alguém pode ser ou pretende ser. Retribuí da mesma maneira: fria e insípida!
Um homem passou conduzindo uma bicicleta, vestido estilo apaisando e era negro. Claro que foi considerado um suspeito quase que imediatamente. Pararam o cidadão e começaram a revistá-lo. Ele, em respeito a autoridade, se dirigiu à parede mais próxima, atordoado por estar sendo considerado um delinquente. Os policiais revidaram com uma rispidez peculiar a classe, salvo algumas exceções. As pessoas que me rodeavam pareciam não entender o motivo de tal procedimento, mas calaram-se. Consentiram com tudo. Inclusive eu. Achei que os opressores estavam me defendendo quiçá a toda sociedade. Afastei a ideia de que algum tipo de preconceito imperava na situação. Mas percebi que aquele cidadão foi o único a ser abordado. Qual critério usado na escolha de suspeitos? Ser negro? Ser pobre? Não ser rico? Não fazer parte de algum esquema ou grandes trambiques governamentais?
Aquele homem foi julgado sem ter nem direito de se defender. Sei que existe policiais profissionais que não se guiam por tais preceitos. E justamente em respeito a estes que denuncio esta expressão corrupta e triste de falta de ética e consideração com qualquer cidadão.
Não que aquele homem fosse o mais trajado, o mais bem visto de todos. Mas nem sempre é o pobre, o negro, o mal vestido quem rouba. Alguns ladrões só pegam peixes grandes, mesmo estando com paletós e colarinhos brancos. A estes é que deveria ser afixada a ideia de atitude suspeita. São estes que deveriam ser revistados. A estes é que deveria constranger. É destes que deveriam nos salvar.

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