terça-feira, 29 de março de 2011

Existe paz na guerra?

         
         Hoje, eu vi uma menininha chorando. Mas não era um choro comum. Tinha dor, angústia e sofrimento além do normal. Sozinha, havia perdido o pai na guerra e a mãe tinha sido levada para servir como apreciação dos oficiais. Ela, agora, tinha a vida toda e o mundo para descobrir, mas seria solitariamente. Entendi, sem ter me falado, todo o seu desespero.

          Não era apenas pelo fato de ter perdido pessoas importantes, mas também porque o mundo, que estava reservado para ela, tinha agressividade excessiva, não havia espaço para a sua imensa doçura. Ela não teve sorte de conhecer o que é cidadania ou respeito entre as pessoas. Conheceu apenas a fera que há dentro do homem, o monstro que toda guerra desperta nos combatentes, a máscara triste da dramaturgia.

         O bramido daquele pequeno ser ecoou dentro de mim e uma indignação tomou conta da minha mente. O homem, que se dizia tão evoluído, simplesmente destruíra o sonho daquela criança e a destinou a um abismo infindável. Privou-a do carinho materno e dos conselhos paternos. Devemos parar de agir como animais e começar a sermos humanos. Devemos parar de agir como máquina, sem sentimentos.

            Por um instante, pensei realmente se tratar de uma criança. Lembrei-me que se tratava apenas de um sentimento e que sentimento! A paz tem gritado nos nossos corações pedindo que todo esse pavor acabe. É órfã, não se tem mais amor e respeito no mundo. As constantes guerras têm acabado com algum milímetro de esperança de que temos de que algum dia ela irá crescer e fará a diferença entre nós. Mas que perspectiva ela tem no mundo? Cada vez mais, as pessoas se distanciam dela. Cada vez mais, ela tem andado solitária. Cada vez mais, tem descoberto que não é no homem que ela deve habitar. É necessário inverter esse jogo. Chame-a para morar junto a você. Devolva carinho ao que te oprime. Afeto ao que te quer mal. Abraço ao que te rejeita.



“O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”. Lutero


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