sábado, 19 de março de 2011

Capítulo 2 - O prelúdio da conquista - Amores de uma vida I

        Sentava junto dela todos os dias, buscando conhecê-la para dominá-la. Fazia coisas que a agradava só para a ver feliz. Fazia piadas somente para extrair o tão belo sorriso que me conquistou. Fazia tudo que estava a meu alcance para ela perceber que alguém a amava. Dizia tudo menos a verdade, a singela verdade. Até que ficamos muito amigos. Passávamos horas conversando sobre vários assuntos, na maioria, sobre bobagens. Talvez a minha altura tenha atrapalhado um pouco. O fato de ela ser maior que eu, fisicamente, não era nada romântico. Precisava me esforçar mais que qualquer um para chamar sua atenção. Diante da nossa aproximação, resolvi dizer a minha verdade, mas com um "status" maior que uma simples confissão: Compus uma música. Mas não a entreguei imediatamente. Primeiro, queria criar a expectativa. No meio de uma das nossas longas conversas, admiti ter feito um música e quem teria sido a minha inspiração. Enquanto não cantei, ela não se acalmou. Curiosidade hiperbólica está na alma feminina.
   Cantei. Timidamente, mas cantei! Nunca entendi o que realmente passou na cabeça dela ao escutar. A música me denunciava! Tentei ser bem direto para que a resposta visse logo a seguir. Havia um trecho que nunca me esqueci e que sempre soa na mente ao lembrar da situação: "Mas você é minha amada e eu não quero te perder; nesse jogo do amor não existe brincadeira, tudo é pra valer." Com uma letras dessas, não existe indivíduo que não entendesse que eu a amava - me desculpem o verso tolo; não tinha nem quinze anos! E ela só achou bonitinho... Talvez não quisesse demonstrar tanto afeto porque não sentia o mesmo. Acho que ela não queria me magoar e deixou que as coisas caminhassem para o seu curso normal.  De amigo passei a amigo confidente. Uma lástima! Virei amigo não porque queria, mas tinha interesse. Antes de conhecê-la, alguns colegas me diziam que amizade excessiva entre homem e mulher sempre tem uma ponta de interesse, eu discordava plenamente. Até que passei "pra lado de cá" da realidade e comecei a pensar que amizade poderia ser uma arma para conquistar algum espaço até que seja tão grande que poderia se transformar em amor - eu pensava realmente assim! De fato, estávamos ainda mais próximos. Agora, a amava mais intensamente. A nossa grande amizade não atrapalhava em nada a minha conquista. Apenas fez com que eu enxergasse que eu não tinha chance. Vieram confidências e, com elas, minhas tristezas. Falava ter se engraçado com um, beijado outro, mas nada de algo sério. E tudo aquilo parecia que não iria acabar. Havia até um garoto bem mais velho por quem ela suspirava. Ele a desprezava enquanto eu queria que ela me admirasse pelo menos a metade. Invejava olhares e elogios que ele recebia pela boca dela. Ela não podia enxergar que quem realmente a amava estava todo o tempo do seu lado. Não podia ou não queria? E, apesar do que eu tinha feito ou ,pelos menos, tentado, ela ainda me contava suas aventuras. Lembro-me de uma delas.  Ela chegou e contou que havia beijado alguém. E, a essa altura, ela também já sabia que eu a amava. Embora não tivesse admitido claramente, a música não deixou dúvidas. Mas mesmo assim ela fez questão de me contar.  Eu estava pagando o preço de ter me tornado amigo! Me senti um moribundo. Me senti um monturo. Chorei até soluçar. Aquilo me furava por dentro. Costumava dizer que era como mil espadas entrassem de uma vez em meu coração, sendo cada pensamento uma espada. Algumas de rejeição. Algumas de inconformidade.

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