sexta-feira, 29 de abril de 2011

Música - Me traz teu sorriso

      
          Você chegou, mudou minha cabeça,
          Você pirou, abalou que havia em mim
          Você tomou, roubou meu coração.
          Você chamou pra me ter em suas mãos.


          Eu quero te amar, com você quero estar
          Em todos os lugares que eu for
          Em todos os invernos que eu passar
          Quando a dor aqui chegar, me traz teu sorriso.
          E bem quando eu levantar
          Quando o dia, bem lindo, raiar,
          Quando eu começar a cantar, me traz teu sorriso.




Você , desajeitada, me ganhou.
Você, sem maquiagem, me conquistou.
Você tão linda sempre será.
Você, quem sabe, poderia me namorar.

Quero sempre ter você comigo,
Nunca me esquecer
 Do teu sorriso, dos teus olhos,
Quero sempre voltar a ver
Os meus dias precisam da tua alegria,
Da tua companhia
Te amar e não ser rejeitado,
Pode crer, é a minha garantia,
                                                                                             De viver bem, tendo amor, tendo paz
                                                                                             Me ame ainda mais se for capaz.
  

       Eu quero te amar, com você quero estar
       Em todos os lugares que eu for
       Em todos os invernos que eu passar
       Quando a dor aqui chegar, me traz teu sorriso.
       E bem quando eu levantar
       Quando o dia, bem lindo, raiar,
       Quando eu começar a cantar, me traz teu sorriso.


Um cachorro, Um preconceito

  
        Um rapaz estava almoçando, nada de anormal. Um cachorro vira-lata, que andava pelas redondezas,  queria apenas brincar e subiu em cima do degustador, lhe atrapalhando a refeição. Ouvi-se um grito:
         - Preto safado, sai de cima do rapaz!
        Da mesma forma que aquela voz se emergiu, um constrangimento tomou o local. A cor do cachorro era preta. Todo preto, sem nenhuma mancha. Mas a associação com a raça negra logo se fez. Uma indignação tomou o meu coração. Se fosse um cachorro branco, um rapaz branco, e branco junto com o xingamento, seria tão constrangedor?
       Ouvi, também, um deboche proposital esses dias. Uma Negra disse que ia a praia e a outra perguntou o que mais a mulata iria bronzear. Com uma ironia cruel, a preconceituosa complementou perguntando se a Negra iria bronzear os dentes. Aquilo me corroeu por dentro. Teve humor. Humor preconceituoso. Por trás daquele comentário, tinha um pouco de preconceito, um pouco de valores históricos, um pouco de valores europeus, um pouco de colonialismo, um pouco de escravidão, um pouco de desumanidade.
         Isso tudo tem fundo histórico. Todos viam os negros como subpessoas, subhumanos, subalmas. Compravam e vendiam. Usavam e abusavam. Maltratavam e desrespeitavam. De uma hora para outra - em tese - todos foram libertos estavam no meio de todos, ou melhor, no meio dos brancos - Claro que se teve várias leis antes da lei áurea, mas foi ela quem libertou, de fato, todos eles. A cabeça das pessoas daquela época deve ter entrado em parafuso. Tanto a dos branco que se achavam superiores, quanto a dos negros que se sentiam inferior.  Evoluímos tanto, mas com resquícios tão primitivos! Tudo isso não justifica o tratamento que muito dão a alguns dos seus semelhantes afro-decendentes. Temos que olhar para a alma da pessoa, saber o que ela é de verdade. Cor e sexo não existe para a alma. Beleza anímica independe de cor da pele. Temos que parar de agir como modernianos e olhar para o futuro e realmente nos tornar do século XXI. Tenho amigos e amigas brancos, negros, mulatos, amarelos, chatos, irritantes, amáveis, meigos e outras tantas qualidades que nunca pararia de citar. Não podemos nos guiar por algo externo se é o que está lá dentro que conta. Há duas amigas minhas paranóicas com esse assunto. Deixo aqui minha sincera homenagem, não só a elas, mas a todos os negros. Para a  raça guerreira, subjugada, que enfrentou tudo, todos e hoje não tem limites para as coisas que fazem. A genética nos comprova. São superiores e é a evolução da nossa espécie. Apesar de não ter uma coloração tão escura, tenho orgulho de ter sangue negro. Sangue de quem clama pela liberdade. Sangue de quem quer mais igualdade. Sangue de um ser humano.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Capítulo 5 - Uma nova chance - Amores de uma vida I

         Três anos se passaram e as marcas da puberdade me mudaram. Eu estava mais bonito, mais vigoroso. A dúvida a respeito da opinião dela a minha nova carapaça me estimulava a seguir com a nossa amizade. Não que eu estivesse irresistível, mas eu estava da altura dela agora! Já era alguma coisa - pelo menos, era o que eu achava. Quando o novo fato chegou aos meus ouvidos, - de que algum sapo novo estava coaxando na minha lagoa para minha princesa - a comparação foi inevitável. Tentei saber de tudo. Como ele era, se ela realmente estava gostando dele, quantos anos ele tinha e algumas outras informações. A imagem do indivíduo se formou na minha cabeça e já me sentia inferior por isso. Ele era bem mais velho que eu. A maneira como ela o descrevia tinha um pouco de entusiasmo excessivo. Aquilo me fez acreditar que realmente só seríamos amigos. Ele estava do lado dela todos os dias, enquanto eu só podia oferecer alguns telefonemas nostálgicos. Era uma luta injusta. Outro dia, tentei falar com ela. A resposta me doeu por dentro: "Estou na churrascaria junto com toda a família do meu namorado porque hoje é aniversário dele." Conhecer a família é um passo muito importante na relação e, às vezes, decisivo para a continuidade do mesmo. As minhas esperanças estavam se esvaindo e as chances de vê-la de novo já estavam ficando mais raras.

   Foi então que surgiu uma nova oportunidade: Um concurso. Faria algumas provas, com algumas fases, sendo a última na cidade em que ela morava. Parecia que tudo já estava arquitetado, planejado. Tantas cidades para sediar o concurso justo a dela ganhou o título. Conhecidência? A chama que estava se apagando se emergiu de uma forma que impressionou quem a detivera. Já imaginava, como uma vaga lembrança, o nosso reencontro, o que iríamos fazer e o que podia acontecer, apesar de que, quando tornei a vê-la, não ocorreu nada do que subiu a minha mente, pelo menos, não da forma como pensei. O concurso, em si, não tinha tanto atrativo. Não tinha uma premiação memorável. Muitos até disseram que eu era louco em fazer. Gastaria tempo, perderia noites somente para um concurso estúpido. Meros mortais! Não conseguiam entender a causa nobre que me motivava. A possibilidade de tê-la em meu olhar novamente e, mais que isso, em meus braços me motivava a fazer todas as provas, fase após fase, batalha após batalha. Essa possibilidade, somente a existência dela, já era meu consolo. Saciou-me e aquietou meu coração por algum tempo. O que era somente uma ideia agora estava se concretizando e só dependia de mim para se tornar real. Tirei das mãos do acaso e eu mesmo fiz a minha sorte.

    Passaram-se, então, várias tardes de estudo seguidas de várias fases motivadas pelo grande prêmio final: vê-la novamente. A cada etapa vencida, o meu coração batia mais forte. Parecia não acreditar no que estava acontecendo. Algumas vezes, pensei que dali não passaria. Via algumas pessoas sendo excluídas da competição e ficava amedrontado de ser o próximo da lista. Até que fizemos a nossa última fase. A expectativa era muito grande. Afinal, seria dita a palavra final, se iria ou não, se reencontraria o meu grande amor ou não. Um dos meus companheiros me disse que não passei. O mundo caiu. A Terra, pra mim, parou de girar. O inverno seria perpétuo em minha vida.  Me fiz de forte e já maquinava outra forma de chegar à prisão dos meus sentimentos - era para ela que todos os meus desejos e anseios estavam sempre direcionados. Até que o suposto amigo - estou rodeado deles - me confessou que tudo fazia parte de uma  brincadeira e que eu passei. Quase não acreditei.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Conto: O exaltado será humilhado!

   
       Seu João Venta-grande sentou do lado de um senhor bem mais caipira e aparentemente, também, bem menos experiente que ele. Seu Pedro Chapéu-de-palha, um homem simples, com cara de trabalhador estava descansando, mascando seu fumo, esperando o tempo passar. João começa a contar vantagem:
      - Eu, tenho dez cabeças de gado. Elas me rendem muito dinheiro. Vocês não sabem o quanto é difícil ter que administrar toda essa fortuna. Não é a toa que elas ficam espalhadas pelos meus treze hectares. Minha previsão desse ano é ter quinze cabeças de gado. Umas vaca lá estão buchudas. Estou louco que elas tenham logo os bezerrinhos para aumentar a minha produção.
      - Que bom, compadre. Vejo que o senhor é um homem de sorte. Já pode ser considerado um homem rico. Eu também tenho algumas cabeças de gado, mas não são lá muita coisa.
Nessa hora, João aspirou mais ar do que normalmente e a inveja subiu a sua cabeça:
      - Cê tem quantas cabeças de gado?
      - Ah! A última vez que fui lá tinha umas cinco mil cabeças de gado somente. Até tinha sumido algumas, mas era porque estavam dando cria. Meu terreno não é tão grande. Elas fogem lá dentro e meu caseiro, sendo um só, não consegue achá-las.
      João Venta-grande não se conteve e insistiu na conversa:
      - Quantos hectares o seu terreno tem?
      - Ah! A última vez que medi tinha bem pouquinho. Uns cento e quarenta hectares. Pretendo aumentá-los. Comprei algumas fazendas vizinhas. Ai sim o terreno vai ficar grandão.
      O invejoso apenas tinha uma admiração excessiva pelo nosso humilde proprietário de terras, mas não sabia toda a história deste mísero homem. Era um dos três filhos de um grande empresário e quando este morreu, deixou três bens: Um apartamento muito luxuoso beira-mar, Uma cobertura muito espaçosa no bairro nobre e uma pobre fazenda no interior do interiorzinho do estado. Os outro dois irmãos mercenários passaram a frente de Pedro e ficaram com os outros dois patrimônios. O nosso recente, ou quase, herdeiro não rejeitou a pequena fazenda que não agradava a ninguém. Viu nela uma oportunidade. E era. Os outros dois irmãos não conseguiram passar a diante os apartamentos e tiveram que vendê-los para se sustentar. O coronel ou doutor, se preferirem, começou com algumas vacas magrinhas. Fez um investimento aqui, outro ali. Um pouco de sorte, uma pitada de visão empregatícia e estava feita a receita para o sucesso. Enriqueceu, mas seu jeito modesto não se esvaiu. Agora os outros dois irmãos pediam ajuda ao fazendeiro que pareceu tão burro na sua decisão, mas que na verdade foi o mais sábio. Fez dinheiro trabalhando e honestamente. E o Venta-grande não sabia de nada disso. Apenas queria contar vantagem. Cuidado! Olhe-se no espelho. Talvez você teja uma protuberância nasal!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Conto: Um retorno ao passado

         
         
Hoje, eu voltei a pé pra casa. Coisa que não fazia a muito tempo. Resolvi pegar a rua menos movimentada, a que eu sempre andava quando era mais novo. Fui pelo caminho de quando eu ainda ia a pé para a escola. De quando eu não tinha tantas obrigações. De quando eu realmente tinha tempo. De quando eu dormia além da conta. De quando eu não tinha nada pra fazer além de ver "Sessão da tarde".
          Passei por um velho jardim que sempre atravessava quando eu não vivia com tanta agitação. Lembro que pegava flores para minhas professoras. Lembro que pegava flores para minhas namoradas. Lembro que confessava às flores todos os meus amores, só elas me davam ouvidos. O jardim era um enigma. Sabia que havia um dono, alguém que cuidava. Mas eu nunca o via. O medo que eu tinha dele me ver arrancando as suas amadas flores dava a emoção que eu precisava todos os dias. Mas quando cheguei, agora, de frente ao meu velho jardim, estava muito mudado. Não tinha tantas variedades de flores como eu estava acostumado a ver. Na realidade, não tinha nenhuma flor. A velha flora deu lugar a uma capim, a uma grama pouco graciosa. Olhei para as ruas que eu costumava transitar e percebi que também estavam diferentes.
          As casas tinham sido pintadas com outras cores, mas a estrutura delas pareciam as mesmas. Quase que eu via aquele pequeno ser de novo, ansioso para conhecer o mundo, ansioso para ganhá-lo, ansioso para sair da rotina.
          Eu estudava num colégio pequeno, de bairro. Meu tio sempre me levava me pegando pela mão. Mas até hoje me leva, mas já ganhei a sua confiança, não pega mais na minha mão. De vez em quando, tenta levar minha bolsa. Mas minha recém-formada barba não me permite deixá-lo fazer isso. Percebi, que na realidade, não foram as coisas que mudaram. Fui eu que mudei. Eu, neste momento, tenho uma visão mais alta das coisas, literalmente e conotativamente e muitas expectativas. Sinto-me novamente como aquele menino que queria desbravar o mundo, mas  não com bons olhos e sim com medo. Queria que o tempo que o dinheiro não fazia diferença voltasse. Queria que o tempo que se podia ter amizades verdadeiras voltasse. Queria que o meu tempo voltasse.

domingo, 17 de abril de 2011

Poeta apaixonado


Quando eu te olhei naquele baile você estava tão linda
Apesar de querer impressionar os outros.
Tudo bem, eu não me importo.
Seus cabelos deitavam perfeitamente como uma raiz de um quadrado perfeito
Seu rosto era como que fosse um triângulo equilátero
No seu corpo haviam parábolas, hipérboles, não consegui contá-las todas.
Percebi que você era muito perfeita pra mim.
Todos ao nosso redor congelaram, parece que estamos sós na sala,
A música que ouvíamos mudou de ritmo.
Tem dois corações compondo a nova sinfonia
Percebi que este momento era perfeito
Percebi que você não pode ir embora, preciso de você
Do seu toque, do seu cheiro, do seu beijo,
Queria te abraça forte como nunca abracei
Não deixe esse momento passar,
Um dia você vai se arrepender.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Capítulo 4 - A saudade asfixiante - Amores de uma vida I

        Nós ficamos na mesma turma. Eu, logicamente, transbordei de felicidade. Seria um ano que estaríamos mais próximos e já tínhamos até combinado grupos e trabalhos juntos. Havia uma possibilidade dela se mudar, mas parecia distante. Eu, enfim, estava com ela de novo. Estudávamos juntos, ríamos juntos, mas agora sem tanta pressão, sem tanto romantismo, sem tantas indiretas. Eu já havia me acostumado com a ideia de que seríamos somente amigos ou quase. As confidências já não mais me importunavam. Apenas faziam-me sentir mal por algum tempo, mas logo retomava a consciência de tudo. Dava aquele frio na barriga, sensação de algo perdido. Mas lá, bem no fundo, eu acreditava que ainda poderia dar certo. Apenas me tornei um pouco mais realista.

Como tudo que é bom dura, pouco, logo recebi a notícia de que ela iria se mudar e isso abalou com as minhas estruturas. O sentimento apaziguado que senti deu lugar ao verdadeiro amor romântico que sempre passeou a minha volta. Alguns dizem que quando perdemos ou estamos prestes a perder algo, valorizamo-lo mais. Eu acho que foi isso que aconteceu. Todo o amor, aquele primeiro amor, havia voltado e muito mais forte. O medo de perdê-la pra sempre, de nunca mais vê-la, nunca mais abraçá-la, me atemorizava. Tentei aproveitar o máximo, mas não pude evitar e ela se foi. Eu pensei que nunca mais veria ela de novo. E agora, no momento, era o que eu queria. Alguns dias depois dela ir, percebi que aquele amor, aquela obsessão só me fazia mal. Tentei esquecer, tentei me concentrar nos estudos, gostar de outras garotas e até funcionou por algum tempo. Mas foi somente falar com ela de novo para eu desistir desta ideia. Havia encoberto todo o sentimento novamente, mas agora ele havia se voltado contra mim. Parecia que a distância não podia apagar o meu amor. Alimentava-o ainda mais. Pude amá-la mais que nunca, apesar de longe. Ainda que sofresse com tudo o que aconteceu, no conflito dos meus pensamentos, nenhum momento tive coragem de contar. Eu podia amá-la sem ter uma interrupção ou decepção. O medo de ser rejeitado era algo que sempre tomava conta de mim. Até que tive alguma ponta de iniciativa, mas coragem, mesmo, de tomá-la nos braços e olhá-la no fundo dos seus olhos, nunca. Tive vontade. Mas coragem, mesmo, de me aproximar de seu ouvido e sussurrar que a amava, nunca. A minha veia romântica e nostálgica sobressaiu-me e falou mais alto que eu: tive que contar toda a verdade explicitamente.

Agora estava pagando pela minha frouxidão. Agora tive coragem e resolvi criar uma chance. Percebi que precisava contar mais cedo ou mais tarde. Precisava me libertar de tudo. E que mal iria fazer? Eu estava longe dela. O máximo que me podia acontecer era deixarmos de nos falar. Contei. E como contei. Disse tudo de uma vez, sem dúvida, sem pestanejar. Ela, ironicamente, me disse que já sabia e nunca entendi o porquê que ainda me ficava torturando se nós podíamos, pelo menos, ter tentado ser feliz alguma vez. Fiquei indignado. Achava que ela deveria ter tirado tudo a limpo. Até que ela passou na minha cara que era eu quem devia ter me apresentado para ser seu súdito para sempre. E lembrei do dia no parque de diversões.  E a frouxidão me doía mais uma vez nos ossos. Foram precisos alguns dias de conversa para esclarecermos alguns detalhes e fatos que não foram ditos. Esvaziei todo o reservatório de anos sem confissões, de anos de sentimentos contidos, de anos de indolência. Achei mesmo que, desta vez, viveríamos bem, felizes para sempre. Pena que não foi assim. Todo o meu amor se afundou em meu coração mais uma vez e passei a sentir apenas uma amizade superficial. Não mais por falta de coragem, mas agora por impotência  para fazê-la volver os olhos para mim. E ainda um fato novo mudou todo o campo de batalha e precisei me adaptar: Ela estava namorando e havia, de fato, alguém novo em sua vida.

domingo, 10 de abril de 2011

Atitude suspeita: Uma revista habitual

Uma abordagem. Um revistamento. Nenhum tiro. Mas alguns xingamentos.

Passei ao largo de alguns "protetores da ordem civil"  os quais me olharam de alto a baixo. Seja por mera formalidade, ou mero desleixo, ou por boçalidade! Achavam que uma farda resumia tudo o que alguém pode ser ou pretende ser. Retribuí da mesma maneira: fria e insípida!
Um homem passou conduzindo uma bicicleta, vestido estilo apaisando e era negro. Claro que foi considerado um suspeito quase que imediatamente. Pararam o cidadão e começaram a revistá-lo. Ele, em respeito a autoridade, se dirigiu à parede mais próxima, atordoado por estar sendo considerado um delinquente. Os policiais revidaram com uma rispidez peculiar a classe, salvo algumas exceções. As pessoas que me rodeavam pareciam não entender o motivo de tal procedimento, mas calaram-se. Consentiram com tudo. Inclusive eu. Achei que os opressores estavam me defendendo quiçá a toda sociedade. Afastei a ideia de que algum tipo de preconceito imperava na situação. Mas percebi que aquele cidadão foi o único a ser abordado. Qual critério usado na escolha de suspeitos? Ser negro? Ser pobre?  Não ser rico? Não fazer parte de algum esquema ou grandes trambiques governamentais?
Aquele homem foi julgado sem ter nem direito de se defender. Sei que existe policiais profissionais que não se guiam por tais preceitos. E justamente em respeito a estes que denuncio esta expressão corrupta e triste de falta de ética e consideração com qualquer cidadão.
Não que aquele homem fosse o mais trajado, o mais bem visto de todos. Mas nem sempre é o pobre, o negro, o mal vestido quem rouba. Alguns ladrões só pegam peixes grandes, mesmo estando com paletós e colarinhos brancos. A estes é que deveria ser afixada a ideia de atitude suspeita. São estes que deveriam ser revistados. A estes é que deveria constranger. É destes que deveriam nos salvar.

domingo, 3 de abril de 2011

Seu retrato




Uma vez olhei pela janela
E te vi do alto do meu quarto
Esperei a chuva passar,
Enquanto via que, no seu rosto, nada de triste restava.
Tão pequena me parecia,
Mas tão detalhadamente me preenchia.
Nunca me esqueço,
Chuva e primavera numa mesma cena.



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Capítulo 3 - As tentativas frustradas - Amores de uma vida I

         Mesmo assim, não desisti. Apesar de tudo, das confissões e de toda melancolia, retomei forças dentro de mim, respirei fundo e voltei à batalha. Não queria que me amasse forçadamente. Apenas queria que me amasse pelo o que eu sou. Queria conquistá-la.
         Um convite, que veio da parte de uma amiga em comum, me animou. Ela nos chamou para ir a um parque de diversões para "brincar". Fomos convocados para criar uma sensação de grupo e esconder dos pais da nossa amiga o que realmente ela pretendia fazer. Afinal, como dizer aos pais, em especial ao pai, que ela iria sair, sozinha, solitariamente, com um menino?
A negativa seria óbvia. Por isso, ela nos convidou. Estava claro que essa seria a chance que eu presisava. Quem sabe, aproveitando a atmosfera amorosa, não iria sair dali "desbevelizado"?
         Eu, ela e a nossa amiga resolvemos ir juntos e, para isso, tivemos que constranger os pais da minha amada a nos levar. O tal sortudo, que iria compor o nosso quarteto, foi independente. Joguei indiretas, pois meu modo tímido, daquela época, não me permitia ir além das barreiras. Lembro que até ensinei o caminho errado para ir ao parque e aleguei "estar nas nuvens". Me cansei de jogar indiretas. Ao chegar no local, o tal casal protagonista se punham à parte e eu ficava, em vários momentos, a sós com a minha amada. Mas tinha um pequeno problema: Eu era muito frouxo! Devia ter acompanhado ela em todos os brinquedos e agarrado ela na primeira oportunidade que tivesse. Devia ter enfrentado a montanha russa, a casa do terror. Era eu quem deveria dizer que iria ficar tudo bem pra ela, não o inverso. Mas eu era frouxo! Se hoje, eu tivesse outra chance dessa, não dava outra: canalizaria todos os meus anos de abstinência num só momento.Voltei para casa sem ela e sem seus beijos. Talvez voltei até mais vazio do que quando fui. Tinha demonstrado fraqueza e imaturidade. Não tinha mais certeza se ainda teria uma chance.
          E as confidências não paravam de chegar. Sentimentos de inveja e cobiça me tomaram por alguns instantes. Sentimentos que nunca eu tinha provado! Insisti na ideia de que precisava apenas de algumas outras chances e coragem para ficar de vez com ela. Até que dois anos se passaram e minha batalha ainda continuava! Vieram chances e não tive coragem. Algumas vezes tive coragem, mas me faltou chance.
Com o tempo, as minhas estratégias foram ficando cada vez mais escassas. Agora, eu não sabia mais se valeria a pena prosseguir com tudo aquilo. Tentei até esquecer. Dia após dia tentava retirar todo aquele sentimento que plantei. Mas era tarde. Já estava arraigado no meu ser.  E ainda para agravar a situação, descobri que tudo acabaria e que tinha que acabar. Ela iria se mudar e todo o nosso namoro "se-ela-souber-acaba" iria por água abaixo junto com todo o meu esforço. Como seria agora? Eu precisava dela para viver!