segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Censura na Internet: Utopia?

 
          Existe uma discussão hoje em torno de todo o conteúdo da internet. Ela, em sua essência, é o campo em que a impressa expressa toda a sua liberdade sobre os mais variados assuntos. Mas até onde essa liberdade é boa? Existe uma maneira de selecionar os conteúdos que vão ao público? Isso seria uma forma de censurar a impressa moderna?
           Estamos na era digital. Todo mundo hoje está, de alguma forma, conectado ao mundo virtual através das redes sociais que cada vez mais tem seus adeptos. O problema dessa era da informação é que os conteúdos, desde os educativos aos mais polêmicos, são disseminados a qualquer um a qualquer hora. Imaginem que uma simples criança - elas parecem que já nasceram sabendo de todo o mundo cibernético - entra em um conteúdo e descobre coisas que não deveria saber, coisas que não compete com sua idade. Com certeza, não será bom para sua formação. Imaginem que isso aconteça a toda hora, em todo lugar do mundo. É quase como criar uma geração de jovens precosses, jovens que tiveram suas iniciações sexuais antes do tempo, por exemplo.
          Por outro lado, os provedores têm que garantir aos usuários a liberdade de postar ou colocar a público qualquer assunto obedecendo assim os princípios básicos da internet que é a ligação e a troca instantânea de informações. Lembro que censurar alguns assuntos ou privar alguém do conhecimento deles é censura e seria um retrocesso ao período em que não podíamos nem produzir textos que falassem de liberdade sem sermos considerados comunistas. Jogar para o servidor, ou provedor, ou empresa, ou governo essa capacidade de qual seria o conteúdo próprio para a família seria reerguer o DIP e torná-lo mais forte do que nunca. E ao mesmo tempo deixar que todo tipo de conteúdo seja oferecido pode nos trazer grandes prejuízos morais daqui a um tempo.
          O ideal seria nós escolhermos o que ver, assistir ou acessar e ensinarmos nós mesmos às nossas crianças sobre as coisas da vida. Se elas vêem primeiro na internet, é porque os pais não a instruíram antes. E esse está a raiz comum de todos os problemas. Os pais têm deixado de fazer o seu papel: o de educar seus filhos. Por isso, alunos brigam na escola com tal e maior violência de antes. Por isso, a gravidez cada vez mais precose. Por isso, a perda de tantos jovens para as drogas. Os culpados serão, então, somente os pais? Não! A culpa é da própria internet. É utopia querer este tipo de restrinção nesse ambiente. Essa questão parece, então, não ter solução. Precisamos evoluir mais ainda para entender o que ainda é tão complexo. Ainda não achamos a resposta pra tantas coisas. Quero fechar os olhos quando tudo isso perder o rumo de vez.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Capítulo 10 - O Reencontro - Amores de uma vida I

        Depois da entrega dos "prêmios", resolvemos relaxar para tirar a tensão daquele dia bom para alguns e ruim para outros. Eu nem estava com vontade de ir, mas estávamos em outra cidade! Iria me arrepender depois se não fosse. Prometi algumas lembrancinhas para algumas pessoas queridas. Ela havia me dito que talvez fosse, mas não era nada certo. Deixei-a livre porque a amava demais. Se ela queria ficar com ele, tudo bem. Eu havia passado meio país para vê-la, mas o que isso valia? Difundimo-nos entre os compradores e, assim como os nossos interesses, seguimos as mais diferentes direções. No início, fiquei com um pequeno grupo, mas a necessidade de me sentir livre fez eu me isolar, mesmo estando "preso" ou limitado naquele lugar e estando totalmente envolvido por pessoas; outras pessoas. Andei de loja em loja buscando os tais presentinhos prometidos. Quase me arrependi de ter prometido. Uma única lágrima contida fazia-me focalizar nesta busca por completo. Queria esquecer de todos os acontecimentos anteriores. Tentava demonstrar que estava tudo bem pra todos, mas algo me corroía por dentro. Não sei descrever muito bem o que sentia. Era um misto de tristeza com nostalgia; angústia e decepção. A minha busca incessante pelos presentinhos era somente um pretexto para procurar um presente específico. Procurava em todos os rostos um conhecido. Queria me despedir dela descentemente. Tive, por várias vezes, a impressão de ter a visto, mas só foram impressões equivocadas. Deu-me fome. Precisava comer algo. Nem tinha almoçado. Agora, além de um vazio cardíaco, um estomacal resolveu querer suplantar o primeiro. Claro que não conseguiu. Quando estamos tristes, as necessidades da mente - no caso, coração - parecem que se tornam superiores às outras necessidades e tornam as outras supérfluas. A fome se torna um detalhe no meio de tanta nostalgia.
 A praça, onde eram oferecidos os mais diversos alimentos, estava completamente lotada. Era um dia de descanso e lazer para todo mundo. Fui uma por uma, oferta por oferta, sugestão por sugestão. Passei por uma sala onde assistia-se filmes e tive mais uma impressão daquelas que quase me infartaram. Mas, desta vez, meus olhos não me enganaram. Era ela, sim! Estava linda, arrumada. Diferente do dia anterior, mas perfeita como sempre. Agora, estava mais descansada, mais harmônica, mais apaixonante. Estava conversando com um homem e logo entendi que se tratava do que tinha roubado ela de mim, por quem eu tinha, de uma certa forma, um respeito de rival. Se tratava do namorado dela. Era bem diferente de como tinha imaginado. Bem diferente de todas as formas que eu, ou minha mente, lhe havia atribuído. Fui me aproximando e fiz questão de olhar pra ela. Ele, de costas, nem notou que eu lhe roubara, por um instante, a atenção de sua amada. Fingi ir comprar numa das lojas e antes que eu chegasse lá, ela caminhou do meu lado. Queria abraçá-la, mas ela fez sinal para eu continuar andando. Imediatamente, a mensagem foi recebida e logo executada. Parei na tal loja que eu iria usar de pretexto anteriormente e ela seguiu outro caminho. Quando olhei para o local onde a vi antes e vi ele sozinho, entendi que era por causa dele que não demonstramos afeto mútuo. Ele estava bem atrás de nós quando estávamos caminhando juntos. Se abraçasse ela ali, ela teria que dar explicações longas, gastar toda a sua lábia advocacional - se é que a tem - para convencê-lo a prossegui no relacionamento. Senti-me como que fosse o amante, mesmo sem ter feito nada de errado. Na verdade, nem vi a cara do sujeito. Mas respirei aliviado. Eu, talvez, não fosse tão superior, mas sabia que ele também não era. A única coisa que ele tinha em vantagem era morar na mesma cidade que ela. Falei com ela e marcamos um lugar para nos encontrarmos. Suava frio como da primeira vez. O destino havia nos juntado de novo. Ele estava sendo sarcástico e bondoso comigo ao mesmo tempo. Ele sabia ser comedido em todas as suas ações.  
Fui chegando perto dela e tentei transparecer calma, tranquilidade quando, na verdade, queria correr o mais rápido que pudesse. Abracei-a, mais forte do que na primeira vez. Aspirei o máximo de ar junto dela para que o perfume dela permanecesse por mais tempo nas minhas narinas. E que cheiro! Era um cheiro que me fazia flutuar. Era quase que uma droga para o meu coração tão esperançoso, tão paciente, tão fadigado por tantos anos longe da autora dos seus sentimentos mais fortes, mais intensos, mais românticos. Podia passar horas, dias, anos cheirando seu perfume ou até a vida toda... Como o destino foi escarniático comigo! Conversamos um pouco. Rimos um pouco. Nos aproximamos menos ainda! O fato daquele ser o ambiente mais visitado pelos amigos dela e, pior, pelos dele fez-nos manter uma certa distância. Ela tentou racionificar essa atitude. Disse que ele era atreito a ciúmes. Brinquei logo com as palavras dela. Falei sobre falta de confiança e mais algumas coisas. Afirmei que comigo seria diferente porque eu confiava, confio, nela e ela confiava, confia em mim. Não sei ao certo se surtiu muito efeito minha tentativa de sedução com estas palavras hábeis. Pra completar todo o sarcasmo, toda a brincadeira dos astros,  um encontro com outra conhecida fez com que interrompêssemos a conversa - mais do que já estava sendo interrompida- e fez-me apenas segui-la, apenas admirá-la. Elas estavam andando, mas eu não sabia para onde. Chegamos na frente de uma loja de grande fama por seus tecidos e elas pararam. Eu parei junto. Fiquei só a espreitar. A conhecida se foi. Ela se voltou pra mim e disse que o namorado estava lá dentro a esperando. Disse-me que sentia por não termos tanto tempo juntos. E que ele estava apressado.
Abraçou-me e disse que quando eu fosse lá, passar mais tempo, iríamos nos divertir muito e que adorou me ver.  A adoração à minha presença me fez gravar no meu coração a essencialidade de voltar para lá de novo; de sentir aquele êxtase pelo resto da vida. Abraçamo-nos forte e não queríamos largar-nos. Disse-a que ele podia nos ver. Ela disse que nem se importava. As expressões "adorei te ver" e "e nem me importo" pareceram resistentes ao tempo. Ecoaram na minha cabeça ainda por alguns longos dias. De vez em quando, ainda as escuto em alguma noite fria, numa manhã linda - mais especial do que o normal - para se apreciar ou quando estou de frente pro mar lembrando da minha saudosa menina... Desapeguei dos seus braços. O aderente que nos uniu por algum tempo teve que se desfazer. E a vi, mais uma vez, caminhando para o nada, se misturando no meio das pessoas. Mais uma vez me senti um brinquedinho do destino, uma marionete, um fantoche. Eu fiquei bem melhor,sim, mas ainda estava desapontado. Não havia recebido o que eu queria. Vê-la uma vez mais tinha sido somente um paliativo para toda a minha dor. Voltei para casa. No desembarque, tinha uma festa para os que ganharam. Saí pela culatra. Já não bastava a minha tristeza? Aquela festa afirmava e reafirmava que eu não havia ganho nada. Virou notícia em todo o estado a vitória dos meus companheiros. Tinha inveja? Não! Mas tudo aquilo assinava meu atestado de incompetência. Mas eu tinha visto ela e nada me tirava aquela alegria. Não era o que eu realmente queria? Me conformei com meu prêmio maior; com meu reencontro tão desejado; com o seu cheiro de novo nos meus pulmões. Tinha dúvidas do nosso futuro, mas queria viver cada tristeza de cada dia por vez. Preferi guardar na mente, lembrar a todo instante aqueles preciosos momentos que se tornaram tão eternos e ecoam até hoje.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Capítulo 9 - Entre encontros II - Amores de uma vida I

       Fiz a prova no dia seguinte despreocupado, apesar de estar encrencado por não ter lido, até o final, o livro obrigatório para a prova. Não havia tido tempo nem para pensar direito, colocar as ideias no lugar, quem dirá ler aquele livro de quase duzentas páginas! Acordamos muito cedo. Ainda estava pra conhecer para onde ela havia se mudado. Lembrei-me de toda a tristeza que foi perdê-la para aquele lugar. Lembrei-me quase que por tabela do motivo que a trouxe para ali. Um desarranjo em sua família, uma amante, uma "umazinha" qualquer, uma sirigaita tinha acabado com toda a família feliz dela. Infelizmente, não poderão mais colocar todos em uma foto só. Existe ainda ódio demias para que se suportem. Quem sabe um dia? Mas a beleza, o frio, as pessoas faziam, sim, daquele lugar um ambiente, no mínimo, agradável para se viver - prefiro minha terra de altos coqueiros! Muito mais pela beleza do que pelas pessoas. Estávamos prestes a começar a fazer a prova. Um orgulho subiu em nossos corações. Representar algo, alguém ou seu colégio nos faz sentir bem, uma sensação de dever cumprido aliado também ao peso da grande responsabilidade que é estar nesta posição. Esquecemos de tudo o que não foi feito. O nosso foco estava na prova. 
Ou melhor, deveria ser esse o único foco. Mas, mesmo na prova, pensava nela, se a veria de novo, aquelas perguntas que estavam ecoando em minha mente desde o último encontro. O concurso me cobrava maior atenção e tentei, realmente, dar o melhor de mim. Mas estava entre as razões, os motivos, os argumentos de meus textos e as emoções, sentimentos e sensações que ela me causava. Eu confiava no destino. Me sentia merecedor de vencer mesmo sem saber o que os outros passaram para estar ali - Arrogância clara da minha parte! A formalidade daquele ambiente nos fazia crer que realmente estávamos num concurso. A prova passou se arrastando. Cada segundo parecia que se estendia mais que o normal. A ansiedade de sair dali para saber o resultado e/ou vê-la de novo me consumia. Terminamos a prova. Não foi tão rápido assim! Foi chato o bastante para não ter o que escrever sobre! No dia seguinte, fomos receber os resultados. Se iam chamando um a um para receber as medalhas e cada vez que era dito o nome da nossa cidade, um grito unânime, por parte dos habitantes é claro, ecoava no ginásio. Mas foram-se passando colocação por colocação e nenhum de nós havia logrado êxito. Bronze, nenhum. Prata, muito menos. Começaram-se os ouros até que foi anunciado um dos nossos. Um grito de fim de copa do mundo se impôs no ginásio. Mas não era eu quem estava recebendo. E continuou-se os anúncios e mais um foi premiado. Um grito de ganhador de carnaval carioca se impôs, novamente e mais forte, no ginásio. Mas ainda não era eu. A essa altura, ainda esperava que o destino me recompensasse. Mas aquele frio no ventre característico de tristeza, aquele choro querendo sair, aquele olhar de cachorro pedinte já se fazia presente em meu ser. Chegaram ao pódio. Somente o primeiro lugar era da nossa cidade. Era a minha apoteose ou decadência. Outro grupo ganhou. Chorei de emoção, de tristeza, de orgulho, de tristeza, de alegria e também de tristeza. Não havia prêmio nenhum físico, mas o fato de realmente, paupavelmente, não ter nem recebido medalha me encheu de melancolia. De repente, aquele prêmio teve importância. Talvez pelo fato de eu não ter ganhado. Parabenizei os vencedores. Realmente foram melhores. Passei a não crer mais em destino. Nessa hora, toda a minha maturidade se tornou questionável. Queria voltar para casa como quando brigava na rua. Como quando discutia feio com alguém. Queria descontar na porta toda a minha fúria e deitar e derramar todo o líquido do meu corpo pelos olhos no travesseiro. Mas estava longe de casa. Muito longe por sinal. Teria que encarar a situação de frente, querendo ou não querendo. Houve algumas comemorações após a "premiação".
Eu só pensava em sair dali, voltar para a minha cidade, minha terra. Estava cabisbaixo, desapontado comigo mesmo. Mas o que mais eu queria? Não havia estudado nem tão pouco me importado em não ter estudado. Os outros realmente mereciam. O que me restava era aproveitar o restante da viagem. Engraçado que, quando imaginei a viagem, fantasiei com duas coisas que logo tornaram frustrações: Os beijos dela - meu feliz para para sempre - e o prêmio da olimpíada. Senti-me como se o mundo todo fosse desabar. O que é um homem sem o amor de sua donzela e o reconhecimento de seu intectuo? Esqueci dela, da minha frouxidão, do dia no parque, do meu esforço para viajar. Tudo se fez fora do sentido. Era como se não fosse para eu estar ali. Entreguei os pontos. Achei que nada mais iria acontecer. Mas me enganei. Algumas surpresas me agardavam. O mesmo destino que me afundou num mar de melancolia estava sendo somente irônico comigo. De cético, acreditei nele de novo! Ainda me despediria dela novamente.