terça-feira, 1 de novembro de 2011

História e amor: tudo a ver

        E eu que nem esperava uma reflexão tão profunda. História é por si só reflexiva sempre, mas alguns professores insistem em fazer reflexões superficiais. O meu não. Eu, que, especialmente hoje, estava feliz por causa de uma pessoa especial, me peguei pensando nela no meio da aula de história. Talvez não fosse certo perder meu foco assim, mas você sabe como é quando se está apaixonado. Mas dessa vez a minha fuga momentânea teve o seu motivo. Falávamos de filósofos. Mais especificadamente, São Tomás de Aquino e São Agostinho. Homens ilustres. Ideias ilustres. Grandes reformadores. Talvez você não quisesse saber da minha apaixonite tão imprópria para quem quer ler sobre História. Mas entenda que esse foi meu pretexto e está tudo amarrado pelo contexto que logo entenderás.
        Esses dois filósofos medievais beberam lá da antiga reflexão grega que estamos acostumados a ouvir: Platão e Aristóteles. Agostinho se identificou com Platão e Aristóteles com Tomás. Platão pensa que existia dois campos, dois mundos pelos quais as nossas ideias eram suspensas. Um era o mundo sensível, o mundo onde tudo era perfeito e o outro o mundo concreto, o nosso mundo que refletia o tal mundo perfeito que existe no campo das ideias, imperfeitamente. Já Agostinho, sacerdote resignado de seus prazeres e diversões, escreve em Confissões um teorema clássico deste típico tipo de texto. Mostra o quão era vadio e o quando melhor ele ficou depois que conheceu a Cristo. Com isso, se mostra-se incapaz de receber a salvação por merecimento, mas explicita a graça de Deus que no seu clímax de piedade, olhou-o com compaixão e resolveu mudar sua vida. Seria Deus quem nos escolheu e estávamos predestinados a sermos salvos. Depois escreveu sobre a cidade de Deus e a cidade dos homens. Nós temos que imitar a "sociedade" celestial. Típicamente platonista. Percebemos claras pontes entre estes dois gênios. E como eu e minha amada nos encaixamos nessa história? Eu e ela tentamos, de modo bem simplório, imitar aquele amor tão perfeito que idealizamos. No meu coração e no dela - claro domínio das ideias-, temos esse amor perfeito, essa dádiva que mais parece divino do que humano. Mas a nossa capa nos permite errar sobre esse amor e torná-lo mais nosso e trazê-lo para o campo real. Está ai a maestria de se viver. Amar com amor perfeito seria fácil, mas o nosso desafio é vencer o campo real e entrarmos, os dois, conectados no campo das ideias. Ainda penso que estávamos predestinados a nos amar...
     Desculpe a você que estava lendo o texto para saber sobre os filósofos. Em respeito a vocês, voltarei ao que me propus anteriormente...Tomás era totalmente diferente do nossos amigos sonhadores. Resolveu estatizar os poderes. Organizar os postos eclesiásticos, cada um com sua hierarquia para que funcionasse como um organismo, uma corporação, uma cooperação. Aristóteles pensou parecido. Regulamentou - digamos assim - as matérias nomeando-as e tornando a compreensão do estudo e suas áreas de maneira mais simplória. Usamos suas definições até hoje. Tiramos algumas ciências - a poesia... pura prentenção nossa - e adicionamos outras, pela própria construção do saber. Tomás, que bebeu da fonte aristotélica, nos deixou um legado de livre arbítrio, de livre escolha.  E mais uma vez minha fuga se fez na mente. Pensei que somos livres em amar quem quisermos amar. E fiquei feliz porque ela escolheu a mim para depositar todos os seus sonhos e seus pesadelos.
    A reflexão é que os dois parecem opostos, mas acho que se complementam. O amor de Deus é sublime sendo o amor dos homens um reflexo desse amor maior. Estamos predestinados a amar aquela que amamos porque não controlamos muito bem o que sentimos ou para quem o coração vai acelerar. Estamos predestinados a sermos salvos por Deus. Mas a escolha e aceitação se faz presente. Se não quisermos a Deus, é impossível que se estabeleça a relação. Se não quisermos nos relacionar com determinada pessoa, isso não vai acontecer. Às vezes, fatores como distância ou inconstância nos impede de amar alguém com todas as forças. Prefiro essa História do que apenas aquela de datas e fatos...

Um comentário:

  1. Pense em um professor que vai dormir hoje feliz da vida, ainda mais realizado na profissão que escolheu (?) kkkkk. Ou foi vocacionado (chamado) (?) kkkkkkkkk.

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