Eu a avistei ao longe. Meu coração passou a bater mais rápido e desacelerado. Tudo ao mesmo tempo. Respirava fundo a cada passo que dava. Aquela cena só acontecia nos meus sonhos mais profundos! De costas, ela continuava a mesma. Mas será que por dentro também? Fui me achegando, a pressão arterial foi se acentuando. Parecia que estava subindo, degrau a degrau, de volta ao paraíso. Coloquei uns óculos escuros só pra criar um charme. Mas ela não estava vendo eu me aproximar. Resolvi fazer uma brincadeira boba, daquelas que não fazemos mais, estilo "adivinha quem é?". Minhas mãos suadas tocaram o rosto dela pela primeira vez. Nem quando eu a avistava todos os dias tive tal relação íntima. A resposta, ela já sabia. Sentei ao seu lado. Olhei e analisei todo o monumento sem dizer uma palavra. Continuava a mesma. A minha doce... Ela dirigiu a vista pra mim e devolvi, bem nos fundos dos seus olhos. Enxerguei a menininha que eu me despedi a alguns anos atrás. Apenas a aparência tinha um leve toque do tempo. Perguntas sem base saíram da minha boca balbuciadamente. Não conseguia parar de tremer. Não conseguia acreditar que eu estava ali. Se sentimentos pudessem ser expressos por imagens, todos ali veriam uma grande apoteose com fogos de artifício e tudo. Foi como o ascender de uma chama na escuridão - Não tinha uma comparação melhor. Foi como... como... como...Como algo divino! Não descarto a ideia de que Deus havia separado aquele momento. Por um instante, esqueci de mágoas, dos meus anseios, das minhas angústias, dos meus sofrimentos. Ela me fazia esquecer de tudo isso. Me fazia sentir preenchido. Nada mais no mundo me importava. Aqueles milésimos de segundo eram cravados no meu coração e iriam se eternizar em minha mente. Ela conseguia prender minha atenção mais que qualquer coisa. Esqueci de tudo o que passei, de coisas que eu enfrentei para estar ali. E esqueci do principal: Ela estava namorando! No meio dos meus delírios, fui acordado quase como num estalar, numa bofetada. Não me conformava com aquilo! Quem era ele? O que ele sabia sobre ela? Eu estive ao lado dela muito mais tempo. A conhecia muito melhor. Sabia das coisas que ela mais gostava. Um acidente geográfico fez com que ela não enxergasse isso. Mas resolvi deixar isso de lado e aproveitar aqueles segundo que ta
nto me custaram o juízo! Pedi para registrarmos aquele momento. Ela alegou que estava desarrumada, desajeitada. Para mim, ela continuava perfeita e linda como sempre achei. Abracei-a pela primeira vez. Nem quando eu a tinha à mão experimentei tal relação íntima. Eu estava realizado mesmo sem acontecer, nem por esbarrão, uma aproximidade de lábios. Como toda história de amor tem que ter alguns "estraga-prazeres", eu não fui o único a desfrutar das palavras dela. Comigo, lembro-te, foram vários amigos, meus e dela, que, como eu, estava com saudades e muitos assuntos para pôr em dia. Tive que dividir a atenção dela com eles. A quebra de todo esse momento singelo que passei nas nuvens, me fez descer e experimentar de outro sentimento que nunca havia passado pela minha cabeça. O ciúme estava me corroendo a ponto de me deixar irritado. Eu estava deixando de me declarar pra ela, fazer ela suspirar com minhas palavras por causa deles. Lembro que disse a ela que iria escrever, em seu caderno, outra música que compus pensando nela - A primeira já tinha virado lixo; ela perdeu na mudança. Ela fez pouco caso porque a conversa com aqueles "baldes-de-água-fria" estava mais interessante. Não era culpa dela. Só estava sendo ela. Nem culpa deles, afinal não eram delinquentes apenas pelo fato de conhecerem ela. Culpava a situação, o destino, seja lá o que for, por esta inconveniência. Mas mesmo assim não desisti! Disputei a atenção dela arduamente. Horas passaram-se como segundos. Chegou o tempo dela se despedir. E todos preferiram entrar, mas eu não! Preferi levá-la até o portal. Acompanhá-la até o último e menor espaço apreciável de tempo. O local que nos alojava era bem grande e me fez ganhar alguns instantes a mais para conversar. Conversamos sobre algumas coisas. Fiz ela rir um pouco. Ela me fez rir um pouco. Mas resquícios daquela minha frouxidão pueril misturado com o respeito maduro ao seu companheiro me fizeram não tomar uma posição drástica naquele momento. Meu jeito romântico me impedia de agarrá-la e sugar até o último
átomo de oxigênio de seu ser. Não podia ser assim! Tinha muita gente olhando e pouca coragem. Nossos passos tímidos traduziam o quanto os dois queriam que aqueles minutos não passasem. Até que cheguei na porta e disse um adeus. Quase que implorei pra que ela não fosse embora, mas que ficasse de vez em meus braços, no meu coração, em minha vida. Vi-a caminhando, voltando para casa, para a vida onde eu não estava. Até que desapareceu na imensidão daquela cidade grande, mas com toque interiorano. Entrei de volta e alguns bisbilhoteiros, daquele local, me olhavam com admiração. Apenas uma mísera oportunidade, mas quase nenhuma privacidade e quase nenhuma exclusividade eu tive. Apesar de todo o meu aborrecimento, o encanto do encontro ainda me deixava bobo. Ela continuava, sim, a mesma! O mesmo sorriso, o mesmo cuidado, a mesma gargalhada que havia me conquistado. Mas não sabia se a veria de novo. Ainda continuaria na cidade por alguns dias. Mas teria outra oportunidade? Outra elevação ao paraíso? Outro suspiro em meio as minhas falas? Só o tempo iria me responder.
nto me custaram o juízo! Pedi para registrarmos aquele momento. Ela alegou que estava desarrumada, desajeitada. Para mim, ela continuava perfeita e linda como sempre achei. Abracei-a pela primeira vez. Nem quando eu a tinha à mão experimentei tal relação íntima. Eu estava realizado mesmo sem acontecer, nem por esbarrão, uma aproximidade de lábios. Como toda história de amor tem que ter alguns "estraga-prazeres", eu não fui o único a desfrutar das palavras dela. Comigo, lembro-te, foram vários amigos, meus e dela, que, como eu, estava com saudades e muitos assuntos para pôr em dia. Tive que dividir a atenção dela com eles. A quebra de todo esse momento singelo que passei nas nuvens, me fez descer e experimentar de outro sentimento que nunca havia passado pela minha cabeça. O ciúme estava me corroendo a ponto de me deixar irritado. Eu estava deixando de me declarar pra ela, fazer ela suspirar com minhas palavras por causa deles. Lembro que disse a ela que iria escrever, em seu caderno, outra música que compus pensando nela - A primeira já tinha virado lixo; ela perdeu na mudança. Ela fez pouco caso porque a conversa com aqueles "baldes-de-água-fria" estava mais interessante. Não era culpa dela. Só estava sendo ela. Nem culpa deles, afinal não eram delinquentes apenas pelo fato de conhecerem ela. Culpava a situação, o destino, seja lá o que for, por esta inconveniência. Mas mesmo assim não desisti! Disputei a atenção dela arduamente. Horas passaram-se como segundos. Chegou o tempo dela se despedir. E todos preferiram entrar, mas eu não! Preferi levá-la até o portal. Acompanhá-la até o último e menor espaço apreciável de tempo. O local que nos alojava era bem grande e me fez ganhar alguns instantes a mais para conversar. Conversamos sobre algumas coisas. Fiz ela rir um pouco. Ela me fez rir um pouco. Mas resquícios daquela minha frouxidão pueril misturado com o respeito maduro ao seu companheiro me fizeram não tomar uma posição drástica naquele momento. Meu jeito romântico me impedia de agarrá-la e sugar até o último
átomo de oxigênio de seu ser. Não podia ser assim! Tinha muita gente olhando e pouca coragem. Nossos passos tímidos traduziam o quanto os dois queriam que aqueles minutos não passasem. Até que cheguei na porta e disse um adeus. Quase que implorei pra que ela não fosse embora, mas que ficasse de vez em meus braços, no meu coração, em minha vida. Vi-a caminhando, voltando para casa, para a vida onde eu não estava. Até que desapareceu na imensidão daquela cidade grande, mas com toque interiorano. Entrei de volta e alguns bisbilhoteiros, daquele local, me olhavam com admiração. Apenas uma mísera oportunidade, mas quase nenhuma privacidade e quase nenhuma exclusividade eu tive. Apesar de todo o meu aborrecimento, o encanto do encontro ainda me deixava bobo. Ela continuava, sim, a mesma! O mesmo sorriso, o mesmo cuidado, a mesma gargalhada que havia me conquistado. Mas não sabia se a veria de novo. Ainda continuaria na cidade por alguns dias. Mas teria outra oportunidade? Outra elevação ao paraíso? Outro suspiro em meio as minhas falas? Só o tempo iria me responder.








