O tempo estava muito chuvoso. As nuvens não nos deram trégua durante aqueles dias. Passei de carro por uma dessas avenidas em que as bocas-de-lobo estão tapadas por falta de educação. O automóvel seguia com um pouco de dificuldade, mas rápido o suficiente para eu só conseguir ver o essencial de todas as diferentes paisagens pelas quais passávamos naquela rodovia. Uma, em especial, me saltou os olhos. Teve a mesma duração de tantas outras imagens que vi. Mas talvez o fato que estava subentendido nela tenha me chamado mais atenção do que qualquer outra que tenha visto neste dia tão opressor. Alguns meninos, aparentemente da minha idade, estavam numa ponte, olhando um riacho que estava elevado devido ao tempo fechado. E estavam prestes a pular lá. O clima era de diversão, entretenimento e nenhum estudo. Eu estava indo para a minha instituição de aprendizado enquanto eles estavam decidindo se iriam para a lama ou não. A situação logo me indignou e me fez refletir sobre algumas questões tão importantes. Qual era o motivo deles estarem ali? Falta de oportunidade? Falta de monitoramento? Falta de auxílio do governo? Falta de consciência?
Provavelmente aqueles jovens não tinham ideia do que estavam fazendo. Provavelmente aqueles jovens não tiveram oportunidade ou vontade de naquela linda manhã irem ler um bom livro para garantir o seu futuro. Provavelmente aqueles jovens não tinham sonho e serão cidadãos-objetos daqui a alguns anos. O caso se tornou mais complexo na minha mente. Entendi que é uma junção de tudo. O governo tenta fazer a sua parte. Levanta mais escolas, modestamente, mas ainda não é o suficiente. A qualidade dessas novas instituições é questionável e criticável. Os pais desses jovens provavelmente não tiveram chance e não tem como dar essa chance a seus filhos. Preferem passar a diante a sua fala de expectativa e a crença de que cada vez mais o estudo não levanta as pessoas. Ou por não poderem ou por não quererem. Aqueles jovens estavam vivendo o momento. O pensamento em estudar para ser alguém na vida quase nem passava pelas suas mentes. Mas até quando serão jovens? Será que irão viver de risadas no futuro? Alegria não enche barriga. É essencial, mas não alimenta. A solução para essa situação chama-se mobilização. A realização desse projeto chama-se iniciativa. A construção de um futuro chama-se vida.
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