sábado, 11 de junho de 2011

Uma música para livrar-nos de um assalto

       Estávamos eu, meu pai e meu irmão, voltando de um dia, ou melhor, de uma noite perfeita. Vínhamos rindo, conversando sobre coisas banais, sobre pessoas banais. Paramos em um sinal, daqueles que
minha mãe sempre diz para não pararmos. Um homem, bem vestido, entra no meio da rua e meu pai até solta que achou estranho essa atitude. Não tínhamos tomado consciência da situação: Mais dois indivíduos, totalizando três homens, cercaram o carro que estava na nossa frente e queriam-lhe assaltar. Se tivéssemos vindo cinco segundos antes, éramos nós quem deveria estar passando por aquele sufoco. Meu pai, habilidoso em dirigir - foram anos de prática - dá uma volta, digna de filme, e nos protege te toda aquela violência que podia se voltar para nós. Preocupado, apressa-me para informar aos "heróis das ruas" o acontecimento traumático de poucos minutos atrás. Liguei, chamou, atenderam. Uma gravação, resposta de quem não está em casa, me respondeu que todos os telefones estavam ocupados e que eu esperasse na linha. Ironicamente, uma musiquinha, irritante para aquele momento, começou a tocar. Da mesma maneira que aqueles acordes perfuravam o meu ouvido, uma indignação perfurava o meu coração. Se fôssemos nós que estivéssemos naquela situação e, por acaso, resolvêssemos ligar para pedir ajuda, aquela música nos confortaria? Ela espantaria aqueles delinquentes do ambiente? Acalmaria minha família depois que morrêssemos naquela barbaridade? Duas coisas me vinheram na cabeça como explicação - Pra tudo há um motivo! Ou todos os policiais estavam na rua , o que é inteirmente correto, ou tínhamos poucos policiais para nos defender, o que é inaceitável. Pensei em poucos telefones, mas quando vi uma reportagem sobre a central de atendimento policial percebi que tínhamos estrutura suficiente e disponível para atender a todos. O que faltou então? Passamos por uma lanchonete, dessas que ficam até tarde aberta. Uma viatura policial se encontrava parada naquele local. Meu pai, cidadão que ainda acredita ou acreditava no sistema, informou aos excelentíssimos senhores policiais do ocorrido e pediu que nos acompanhassem. Com o pretexto de já terem ido à região violenta, disse que depois iria para fazer uma ronda. As palavras dos protetores não convenceram em nada. Estavam mais dispostos a proteger a lanchonete por alguns míseros restos de refeições do que ir cumprir seu trabalho. Mais indignado fiquei quando isso aconteceu. Quem irá nos defender? O super-homem? A mulher-maravilha? Temos que investir em segurança. Temos que atentar para o bem-estar da população.  Onde está o poder público nessa hora? Está encondido como todo o dinheiro que roubam..? Meus caros policiais. Não duvido do vosso trabalho. Apenas peço maior empenho. Defenda-nos como se defendesse a sua própria família. Meus caros parlamentares. Não questiono a vossa função. Apenas peço maior empenho. Represente-nos como se a sua filha tivesse sido estuprada por todos os delinquentes do nosso país. Temos que abrir os olhos. Como iremos ser país desenvolvido? Desse jeito iremos estar pior que qualquer outro país. Seremos inseguros.

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