Reflexões sobre a vida, cotidiano, amor, amizade e outros sentimentos tipicamente humanos são o foco deste blog.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Capítulo 12 - Outro começo, outro amor - Amores de uma vida II
Lembro-me muito bem do dia em que nos encontramos. Achei-a bonita. Fazia tempo que não a via. Encontrei-a na igreja depois de tantos anos sem seu convívio. Sei que lá não é lugar para essas coisas, mas quem mais senão Deus para entender como surge o amor nos homens? Conheci ela bem antes de me despertar para o amor. Ela ia passar as férias na casa da prima e encontrava-me às vezes. Era franzina nem tinha tantos traços notáveis. Trocávamos algumas poucas palavras talvez pela idade ou pelo pouco vocabulário em construção. Mas agora estava diferente. Os novos ares longe de mim a fizeram muito bem. Estava, agora, com novas formas, novos trejeitos, nova personalidade. Alegrou-se bastante ao me rever, o que foi recíproco. O que mais achei engraçado é que ela, logo que me viu, disse meu nome e eu não lembrava o seu de jeito nenhum. Fingiremos que ainda não lembro o nome dela. Só assim te contentarás com o fato de não saberes, leitor curioso. A minha tática mudou de coração, mudou de alvo, mas continuou a mesma paradoxidamente. Me aproximei buscando somente uma amizade, mas, no fundo, queria me apaixonar novamente. Não me julgem mal pelas minhas falcatruas, mas era, sim, para a esquecer a primeira lá que já não te lembras bem. Ficávamos mais íntimos a cada dia e já contava os meus segredos, inclusive da minha decepção recente. Achei que, assim, ganharia a confiança dela e daria aquela brecha que eu queria para encontrar outro amor. E ela estava reagindo bem. Também começou a contar seus probelmas, suas dúvidas e anseios. Havia uma amiga dela que comecei a conhecer pela aproximação excessiva. Como os segredos já naquela época não eram resistentes à nossa amizade, logo fiquei sabendo que essa amiga dela estava gostando de mim. Meu tiro saiu pela culatra. Não que essa conhecida não merecesse o meu amor ou ser amada, mas meu alvo era outro. Eu estava decidido para quem eu devia me declarar. Eu não estava muito acostumado em ter alguém apaixonada por mim. Eu estava do outro lado da realidade. Na maioria das vezes, era eu quem me declarava, era eu quem me apaixonava e nunca ao contrário. Adorei e odiei a ideia ao mesmo tempo. Adorei porque era fruto dos sonhos de alguém, mas odiei por não corresponder. Adorei porque estava sendo tido como algo bom - minha nova carapaça estava funcionando -, mas odiei porque não era a minha escolhida quem me declarava amor. Soube disso, mas preferi fingir que não entendi muito bem ou algo do tipo. Hoje vejo a cena como algo cômico. Eu querendo conversar com a minha amada e a amiga dela querendo conversar comigo. Que triângulo engraçado! Se tu, leitor amigo, conhecesse os três indivíduos que o formavam, irias rir todo por dentro. O amor tem esse efeito nas pessoas. Deixa-as anestesiadas para a realidade. Chegava ser até ridículas as nossas atitudes de cobrança de atenção. Apesar da amiga, não desisti da minha conquista. Queria ela e somente ela. Encarei a amiga como a pedra que o destino quis colocar no caminho. O tão sarcástico destino! Era como se ele quisesse me mostrar como é ser alvo dos desejos de alguém e não poder corresponder. Que droga! Estava me tornando mais compreensivo com a primeira que não me pôde fazer juras de amor...
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